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Viva o Brasil

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto. Rui Barbosa

Nos últimos nove anos, o Brasil assiste inerte um processo de transformação nos seus costumes.

Se é verdade que existiam saques aos cofres públicos, não é menos verdade que hoje continuam a ocorrer. A diferença é que antes, tais desvios eram episódicos, e hoje eles foram primeiramente institucionalizados e depois naturalizados.

O escândalo do MENSALÃO DO PT foi o primeiro sinal de que as coisas estavam mudando, pois naquela ocasião, foi possível constatar que, aparelhando a máquina do Estado e colocando pessoas desonestas para gerenciar o dinheiro público, era possível roubar sem o risco de punição.

Infelizmente, naquela ocasião e por razões meramente eleitorais, a oposição preferiu fazer “vista grossa” e não adotou a postura patriótica que toda nação esperava e necessitava, que era exigir a apuração imediata e colocar na cadeia os culpados.

O resultado dessa omissão é que o esquema da roubalheira foi aperfeiçoado e o aparelhamento do Estado chega ao cúmulo de contaminar inclusive os órgãos que deveriam apurar e punir os culpados.

Enfim, o brasileiro hoje não confia mais na classe política (aí incluídos os membros do Executivo e do Legislativo) nem no Judiciário e Ministério Público.

Caminhamos a passos largos para o precipício institucional, pois não confiar nos órgãos de controle social significa que estamos a um passo da barbárie, onde os valores éticos, morais e legais são relativizados, e cada um resolve seus problemas da forma que acha melhor, isto é fazer JUSTIÇA com as próprias mãos.

Será o fundo do poço, ou poeticamente, os ventos da primavera árabe chegando ao Brasil. se o futuro próximo parece tão sombrio, ainda é possível evitá-lo.

Basta que as pessoas de bem demonstrem claramente que estão lutando contra essa institucionalização da bandalheira.

E a oportunidade é agora, pois ouvir Carlinhos Cachoeira pode mostrar muitos ralos onde foram tragados o dinheiro público.

Provavelmente muitos bandidos travestidos de “autoridades” e até alguns que, indevidamente vestem as roupas de vestais da moralidade serão desmascarados.

Pela segunda vez, o destino é generoso com a chamada oposição, oferecendo-lhe a oportunidade de trabalhar pelo Brasil, pois essa luta não é de pequenez partidária, política ou eleitoral, mas da grandeza do Brasil.

Trata-se de salvar o Brasil do câncer da corrupção que foi inoculado nas suas veias, e só uma cirurgia, com todos os seus riscos e dores, poderá extirpá-lo.

Espero que as pessoas de bem, por patriotismo ou instinto de sobrevivência trabalhem rapidamente para salvar o Brasil honrando o lindo hino que ensina “...mas se ergues da Justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta...”.

Medo, venalidade, paixão partidária, respeito pessoal, subserviência, espírito conservador, interpretação restritiva, razão de estado, interesse supremo, como quer te chames, prevaricação judiciária, não escaparás ao ferrete de Pilatos! O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde. Rui Barbosa


Raimundo Ribeiro*

*Raimundo Ribeiro é advogado e vice-presidente do PSDB/DF.

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