ESTADÃO: A oposição dos movimentos sociais; Pixuleko Lá - ITV; SEMINÁRIO "CAMINHOS PARA O BRASIL" - ITV-PSDB
A oposição dos movimentos sociais

15 Setembro 2015 | 03h 00 

A forte oposição das entidades e movimentos sociais filopetistas ao corte de despesas necessário ao ajuste fiscal faz parte do preço que o governo Dilma e todo o País estão pagando pela irresponsabilidade do populismo lulopetista, que desde sempre vende a ilusão de que num governo “popular” comprometido com o combate às injustiças sociais – a síntese da hoje desmoralizada proposta do PT – sempre há de haver dinheiro público para patrocinar as causas sociais.

Estimulados pela retórica do PT, esses movimentos sociais se sentem à vontade para partir do princípio antissocial do “farinha pouca meu pirão primeiro”, segundo o qual podem até admitir que num momento de dificuldades a austeridade se imponha, desde que aplicada no terreiro do vizinho.

Várias organizações sociais alinhadas com o PT, ao mesmo tempo que proclamam opor-se ao “golpe” que significaria o eventual afastamento da presidente da República, cobram firmemente de Dilma Rousseff a imunidade dos programas sociais do governo aos cortes de despesas em discussão para equilibrar o orçamento de 2016. Em resolução divulgada no sábado, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), comandado pelo carbonário João Pedro Stédile, foi categórico: “Reconhecemos a existência de uma crise econômica mundial (sic), mas não admitimos que trabalhadoras e trabalhadores paguem esta conta. Somos contra o ajuste fiscal e consideramos que o governo está implementando medidas de ajuste neoliberal, que ferem direitos dos trabalhadores e cortam investimentos sociais.

Exigimos que a presidente implemente o programa que a elegeu”. Stédile finge acreditar no que Dilma prometeu na campanha eleitoral.

Por sua vez, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, foi ameaçador em declarações ao Estado: “Se prevalecer no governo essa posição de ampliar a crise social para solucionar a crise fiscal, o MTST vai para o enfrentamento”. O que sugere que em breve os “exércitos” de Stédile e Boulos poderão estar marchando juntos contra o governo.

Na última quinta-feira, Dilma recebeu no Planalto líderes de movimentos pró-moradias populares, que após o encontro se manifestaram por intermédio do petista Raimundo Bonfim, coordenador-geral da Central de Movimentos Populares: “Dissemos à presidente que não aceitamos cortes (no Minha Casa, Minha Vida). Ela prometeu preservar o programa, mas queremos ver isso na prática”.

A intransigência dos movimentos ditos populares em relação aos cortes de despesas orçamentárias que afetem programas sociais tem feito Dilma Rousseff hesitar no trato dessa questão específica, como ficou claro na reunião realizada domingo com ministros e técnicos do governo para definir um corte de pelo menos R$ 20 bilhões nas despesas do governo previstas para 2016.

É compreensível e elogiável a preocupação da chefe do governo em minimizar os prejuízos para os programas sociais no ajuste fiscal, mas a responsabilidade do cargo que ocupa impõe a Dilma o dever de não se deixar transformar em refém de movimentos que, atados ao sectarismo ideológico ou à pura demagogia populista, não querem entender a extensão e a gravidade da crise econômica em que o País se afunda e agem como se fosse possível, e justo, excluir aqueles que pretendem representar dos efeitos inevitavelmente indesejáveis que a hora da austeridade impõe a todos os brasileiros.

Lula, Dilma e o PT são os principais responsáveis por uma crise que reflete a incompetência e a irresponsabilidade de seus governos que, obcecados por um projeto de poder, descuidaram dos fundamentos de uma economia saudável e, consequentemente, da sustentabilidade de seus programas sociais. Agora, cabe aos responsáveis pelo caos administrar a contradição que significa o governo não poder contar com o apoio de seu próprio partido e dos movimentos sociais que têm garantido suas vitórias eleitorais para encaminhar, com um mínimo de racionalidade, as medidas necessárias para tirar o País da crise econômica, a partir do ajuste de suas contas.

Essa contradição aparentemente insanável reforça a tendência que se acentua a cada dia de se caminhar para uma solução política do impasse por meio da medida constitucional extrema do afastamento da presidente. Ou de sua renúncia.

PIXULECO LÁ

Carta de Formulação e Mobilização Política Segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Até agora, as suspeitas sobre a participação de Lula no mensalão e no petrolão apenas ricocheteavam nele. Mas chegou a hora de o ex-presidente acertar as contas com o país

Luiz Inácio Lula da Silva sempre agiu como se fosse um todo-poderoso. Tanto na presidência da República quanto depois que deixou o cargo, parecia julgar que estava acima do bem e do mal. Mas o acúmulo de suspeitas contra ele não pode mais ser ignorado. Está na hora de Lula acertar as contas com o país.

A Polícia Federal quer ouvir o ex-presidente sobre as roubalheiras reveladas pela Operação Lava Jato. Os investigadores têm fundadas desconfianças de que Lula pode ter se beneficiado do esquema que desviou dezenas de bilhões de reais dos cofres de estatais para financiar a permanência do PT no poder, ou seja, os governos dele e de Dilma.

Foi na gestão de Lula que nasceu o mensalão, a compra de apoio parlamentar no Congresso para sustentar um governo cujo principal projeto era se perpetuar no comando do país. Aquele foi, contudo, apenas o ensaio - bem-sucedido naquilo a que se propunha - do que viria a ser o petrolão, também semeado sob Lula e adubado com Dilma.

Em dimensões, abrangência e degradação, o esquema já condenado pelo STF é troco perto da estrutura que o Ministério Público, a Justiça Federal e a PF vêm desbaratando a partir de Curitiba, num esforço para tentar pôr ponto final na praga que o PT cultivou no país.

Desde o mensalão as investigações esbarram em Lula, mas as acusações apenas ricocheteavam no ex-presidente, como se ele tivesse couraças de aço. Tudo indica que agora o petista não terá mais superpoderes típicos de personagens de histórias em quadrinhos para se safar, livre, leve e solto, das suspeitas que se avolumam. 

São numerosos os indícios de que Lula, no mínimo, se beneficiou da bandalheira. Já se conhecem, por exemplo, suas umbilicais ligações com empreiteiras como a Odebrecht, nas asas da qual voou o mundo fechando negócios bilionários financiados com dinheiro público liberado pelo BNDES. O caso já é objeto de outra investigação aberta pelo MP.

A imbricação de interesses também esteve presente nas malfadadas obras da refinaria de Pasadena, como mostra a revista Época  desta semana. A operação envolvia desvio de dinheiro para a campanha de Lula em 2006 e é apenas mais uma das revelações de que tanto a eleição dele quanto a da atual presidente foram financiadas com dinheiro sujo da corrupção.

O fato de todos os últimos tesoureiros do PT e das últimas campanhas presidenciais do partido estarem sob investigação, presos e/ou condenados pela Justiça também já diz muita coisa.

O pedido da PF para que Lula seja ouvido pelo STF depende de manifestação da Procuradoria-Geral da República - que, aliás, nem se sustenta tecnicamente. De todo modo, não há razão que justifique qualquer decisão contrária à sua oitiva. Se não deve, o ex-presidente não tem o que temer.

Do contrário, o célebre boneco do Pixuleco vai poder ganhar um adereço nas próximas manifestações de que participar: uma mordaça que impede que a justiça se complete em relação à investigação e à punição do maior esquema de corrupção já visto no país. 

 
 
ITV e PSDB discutem alternativas para a crise econômica no seminário “Caminhos para o Brasil”

15 de setembro de 2015
 

Os presidentes do Instituto Teotônio Vilela (ITV), José Aníbal, e do PSDB, Aécio Neves, promovem, nesta quinta-feira (17), em Brasília, o Seminário “Caminhos para o Brasil”.

A atividade terá a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O evento, que marcará o início das comemorações dos 20 anos do ITV, tem como objetivo discutir alternativas para a crise econômica no país.

Serão palestrantes o economista e ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga; o ex-secretário-adjunto de política econômica do Ministério da Fazenda e economista, Gustavo Franco; o diretor-presidente do Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa, Marcos Lisboa; o doutor em economia e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Samuel Pessôa e o economista e técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada, Mansueto Almeida.

O Seminário ocorrerá no Senado federal, na Ala Senador Nilo Coelho – Plenário 2, das 9h30 às 12h30.
 

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