Tudo foi originado na Casa Civil do governo Lula’, afirma procurador; Ricardo Pessoa delatou gráfica fantasma da campanha de Dilma Rousseff
Tudo foi originado na Casa Civil do governo Lula’, afirma procurador

Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra força-tarefa da Lava Jato, disse que ‘não tem dúvida nenhuma’ de que organização criminosa é a mesma do Mensalão, Petrolão e Eletronuclear


Procurador Carlos Lima. Foto: Gisele Pimenta/Frame

Por Ricardo Brandt, Andreza Matais, Julia Affonso e Fausto Macedo

O procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato, afirmou nesta segunda-feira, 21, que ‘não tem dúvida nenhuma’ de que os maiores escândalos de corrupção da história recente do País – Mensalão, Petrolão e Eletronuclear – tiveram origem na Casa Civil do Governo Lula.

Durante entrevista em que foram revelados dados da nova fase da Operação Lava Jato, a 19.ª etapa, com onze mandados judiciais cumpridos, o procurador foi taxativo ao ser indagado se os novos alvos têm ligações com o ex-ministro-chefe da Casa Civil do Governo Lula, José Dirceu, preso na Operação Pixuleco 2, em agosto.

“Quando falamos que estamos investigando esquema de compra de apoio político para o governo federal através de corrupção, estamos dizendo que os casos Mensalão, Petrolão e Eletronuclar são todos conexos porque dentro deles está a mesma organização criminosa e as pessoas ligadas aos partidos políticos. Não tenho dúvida nenhuma de que todos ligados à Casa Civil do governo Lula, tudo foi originado dentro da Casa Civil.”



Nesta segunda-feira, 21, na 19ª fase da Lava Jato, a Nessun Dorma (Ninguém Durma), o executivo José Antunes Sobrinho, um dos donos da Engevix, foi preso preventivamente em Santa Catarina. O lobista João Henriques, ligado ao PMDB, também é alvo.

José Antunes Sobrinho é suspeito de ter pago propinas em cima de contratos da empreiteira com a Eletronuclear que somavam R$ 140 milhões, entre 2011 e 2013. Os valores teriam sido pagos para a Aratec, empresa controlada pelo ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva. José Antunes será levado para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Othon Luiz foi preso em 28 de julho na Operação Radioatividade. Nome de grande prestígio na área, o almirante, no fim dos anos 1970 (governo general Ernesto Geisel) participou diretamente do projeto do submarino nuclear brasileiro.

O alvo desta nova fase são propinas que teriam sido pagas envolvendo a Eletronuclear e a diretoria internacional da Petrobrás. Trinta e cinco policiais cumprem 11 mandados judiciais, sendo sete mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva, um mandado de prisão temporária e dois mandados de condução coercitiva em Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro.

COM A PALAVRA, CARLOS KAUFFMANN

1. José Antunes Sobrinho foi preso nesta data pelos mesmos fatos que originaram o processo criminal no âmbito da Eletronuclear, sobre os quais ele espontaneamente prestou esclarecimentos às autoridades competentes;

2. Causa perplexidade que a prisão tenha sido decretada durante a vigência do prazo de sua defesa, sem que tenha surgido prova ou fato novo que a justificasse;

3. Há vários meses o Grupo Engevix está colaborando com a Controladoria Geral da União – CGU, visando celebração de acordo de leniência, conforme previsto em lei.

4. José Antunes Sobrinho não procurou qualquer testemunha para produzir, ocultar ou alterar prova. Ao contrário, foi procurado por Vitor Colaviti, em julho passado, antes de saber que havia investigação, e se negou a discutir o tema;

5. A história profissional de José Antunes Sobrinho e de sua atuação perante a Eletronuclear estão detalhadas na defesa já apresentada para o Juiz Sergio Moro, cujo teor ainda não foi apreciado.

Carlos Kauffmann


Ricardo Pessoa delatou gráfica fantasma da campanha de Dilma Rousseff e avisou: “Não vou poupar ninguém”
Ricardo Pessoa delatou a VTPB.

A gráfica fantasma de Beckembauer Rivelino, irmão do jornalista Kennedy Alencar, foi usada para lavar propina do esquema de corrupção da Petrobras, segundo o empreiteiro.

Ele também avisou: “Não vou poupar ninguém”.

A reportagem da IstoÉ desta semana informa:

“Uma das pistas reveladas por Pessoa atinge diretamente a campanha de Dilma e sua contabilidade.

Aos procuradores, o dono da UTC teria indicado que parte dos R$ 26,8 milhões que o PT pagou a VTPB Serviços Gráficos e Mídia Exterior teve origem no Petrolão.

Só a campanha de Dilma injetou na VTPB quase R$ 23 milhões, dinheiro que daria para imprimir 368 milhões de santinhos do ‘tipo cartão’, modelo descrito nas notas fiscais anexadas à prestação de contas.

O montante é duas vezes e meia o total de eleitores habilitados no País.”

Não é maravilhoso? O PT paga o suficiente para imprimir material de campanha para dois Brasis e meio, e quer quer que você acredite que o objetivo era mesmo imprimi-lo.

Edinho Dilma Lula
Dilma Rousseff, Edinho Silva e Lula: preocupadíssimos

Tem mais:

“Em suas conversas com os procuradores, Pessoa afirmou que a gráfica foi usada para que dinheiro fruto do Petrolão chegasse à campanha petista como se fosse uma doação oficial.

Com isso, endossou a tese de investigadores da Lava Jato sobre a possibilidade de o caixa oficial da campanha ter sido ferramenta para lavar dinheiro de corrupção.”

Por fim:

“A suspeita sobre o uso da VTPB levou o vice-presidente do TSE, o ministro Gilmar Mendes, a oficiar a Procuradoria Geral da República, a Receita Federal, a Secretaria de Fazenda de São Paulo e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Em seu despacho, Gilmar alegou ‘indícios de irregularidades’ nas contas da ‘gráfica fantasma’.

A iniciativa, que agora terá o apoio do Ministério Público, servirá para rastrear a origem do dinheiro e seu destino final, saber se a UTC bancou diretamente os custos de impressão dos santinhos ou se o dinheiro passou pela conta do PT, e se os serviços foram realmente prestados.

Em suas delações, Pessoa detalha a participação do ex-tesoureiro de Dilma e atual ministro Edinho Silva no esquema.”

Acrescento:

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, comentou com os mais próximos, segundo a coluna Radar, que Dilma Rousseff estava distante, preocupada e nada sorridente durante o almoço oferecido pelo prefeito Eduardo Paes.

De fato, ela tem todos os motivos para estar assim.

Felipe Moura Brasil ? http://www.veja.com/felipemourabrasil

 
 

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