Desenprego em escala exponencial
O DESEMPREGO DECOLA

Não bastasse o dólar em disparada, os juros decolando, a paralisia da atividade econômica e dos investimentos, a face mais temível da crise acaba sendo o desempregos.

Sinais da crise se espalham pelo país. Não são apenas o dólar em disparada, os juros decolando, a paralisia das linhas de montagem e o congelamento dos investimentos que assustam. A face mais temível da crise é o desemprego, que voltou a subir em agosto.
É a recessão se revelando com todo o seu negrume.
No mês passado, a taxa de desemprego medida pelo IBGE atingiu 7,6%. Foi um salto e tanto em relação ao mesmo mês de 2014, quando o índice estava em 5%. A melhor tradução da escalada é o aumento do número absoluto de desocupados no país: em um ano, mais 636 mil pessoas passaram a esta condição, com alta de 52%.
O desemprego divulgado hoje de manhã é o mais alto para meses de agosto desde 2009, ano da séria crise econômica global. Considerando toda a série histórica, o índice está agora no mesmo patamar de março de 2010, ou seja, é o pior em mais de cinco anos.
Foi o oitavo mês seguido de alta. “O mês repete a dinâmica dos últimos meses: mais pessoas estão procurando emprego na expectativa de recompor a renda familiar, afetada
pela crise econômica, mas encontram um mercado em processo de demissões”, sintetizou a Folha Online.
A discrepância entre as regiões pesquisadas é grande. A situação é mais grave em Salvador, onde a taxa média alcançou 12,4% – a maior em seis anos – e atingiu 27% entre jovens
com idade entre 18 e 24 anos (a média nacional nesta faixa etária está em 18%). O Rio aparece na ponta oposta, com desemprego médio de 5%.
Não foi só conseguir emprego que ficou mais difícil. Os salários também encurtaram. Na média, o rendimento médio real caiu 3,5% no cotejo com agosto do ano passado. Quem
trabalha no setor privado sem carteira de trabalho sofreu perda bem maior: 12,6%, na mesma base de comparação.
Os resultados medidos pelo IBGE são apenas parciais, pois cobrem o mercado de trabalho somente das seis principais regiões metropolitanas do país. Outro indicador mais amplo, a
PNAD Contínua, que abarca mais de 3.500 municípios, já revela uma taxa de desemprego bem mais alta no país: 8,3% no segundo trimestre.
Desde que Dilma foi reeleita, mais de 1 milhão de vagas de emprego foram eliminadas, de acordo com a mais recente versão do Caged, a terceira pesquisa sobre mercado de trabalho
realizada no país. A indústria continua sendo o setor mais penalizado, mas a diminuição de oportunidades tornou-se ampla, geral e irrestrita.
Durante anos, o governo do PT asseverou que o Brasil estava imune a crises e que a maior prova disso seriam as baixas taxas de desemprego. Nunca foi verdade. O mercado de
trabalho manteve-se aquecido por um tempo em razão de estímulos artificiais. Nada mais natural que desabe na mesma velocidade com que o modelo econômico petista desmorona.
 

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