“Lula S.A.”, análise do ITV; Contra impeachment, Dilma capitula; Michel Temer recebe líderes pró-impeachment
 “Lula S.A.”, análise do ITV


Agência Brasil - ABr - Empresa Brasil de Comunicação - EBC

Enquanto esteve no Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva sempre disse que se portava como “caixeiro-viajante” ao representar o Brasil. Pelo que vem sendo revelado pela Justiça, ele fazia bem mais que isso. O petista usava a presidência da República para fazer negócios, não necessariamente em favor do país.

Ontem vieram à tona, por parte da Polícia Federal, e-mails que indicam que Lula fez lobby para a Odebrecht enquanto ainda ocupava a principal sala do Palácio do Planalto. O alvo em questão eram contratos na Namíbia. O então presidente da República transformou seu gabinete num escritório de negócios de empreiteiras e empresas em geral.

Lula tem razão quando sustenta que, entre as funções de quem ocupa o cargo mais alto da República, está a de defender interesses de empresas do país no exterior. O problema surge quando os pleitos discutidos deixam de ser do interesse nacional e se tornam vantagens meramente empresariais e/ou político-partidárias. Parece ser o caso.

As ligações de Lula e do PT com empreiteiras estão sobejamente documentadas. Com Odebrecht, então, nem se fala: chegam a ser umbilicais, como tem sido revelado pela Operação Lava Jato. Tanto que o principal executivo da empresa está detido há mais de 100 dias em Curitiba sob a acusação de pagamento de propinas no exterior.

O Ministério Público também já investiga a participação de Lula, depois que ele deixou o Planalto, na conquista de contratos internacionais por parte da Odebrecht em obras financiadas com o dinheiro barato – e público – do BNDES. É mais que sabido que a empreiteira também inundou os cofres do PT e ajudou a financiar suas milionárias campanhas eleitorais.

A rede de negócios montada a partir do Palácio do Planalto, uma espécie de Lula S.A., nasceu com o mensalão e foi crescendo com sucessivas expansões. As transações se assemelhavam ao que o mercado corporativo chama de “takeover hostil”, ou seja, uma espécie de jogo sujo empresarial, até chegar ao conglomerado hoje conhecido como petrolão.

Esta sociedade anônima espúria tinha como principal visão de negócio gerar dividendos para a holding PT. Sua missão estratégica era manter o partido na condição de CEO do país pelo maior tempo possível. Isso implicou investir não só na eleição e na permanência de Lula, como na ascensão e na reeleição de sua ungida, Dilma Rousseff, também com dinheiro desviado de estatais, como reforça reportagem da revista Veja desta semana.

Com a escalada do PT ao poder, a máquina de governo foi transformada num imenso balcão de negociatas. Lula foi seu maior chairman, mas a atual presidente não foge ao figurino. Tanto que trata os cargos transacionados em sua reforma ministerial como moeda de troca para livrar-se da perda de mandato. No fim das contas, tanto a um quanto à outra o que importa é fazer negócio.

ANÁLISE

Contra impeachment, Dilma capitula

 A queda de Aloizio Mercadante da Casa Civil é a capitulação final da presidente reeleita em 2014. Dilma Rousseff fez, enfim, o movimento mais esperado e difícil em sua luta para começar um novo governo com ela ainda na cadeira

Na balança, a ideia de que apenas a entrega de mais poder ao PMDB e aliados laterais, aliada à cabeça simbólica de Mercadante a ser despachada de volta para a Educação, será capaz de barrar o ímpeto do Congresso de impedir a impopular presidente.
A degola do ministro, figura odiada por nove e meio entre dez políticos de Brasília, também agrada ao principal interessado nos rumos do governo que morreu antes de começar: o chefão petista Luiz Inácio Lula da Silva.
O ex-presidente, ainda que já tenha tido Mercadante em sua chapa uma vez, nunca gostou do ministro. Se exprime isso por convicção ou pragmatismo, é outra questão, mas o fato é que Lula passou o ano insistindo na tecla de que o ministro era o principal problema da Esplanada.
Lula, dono do maior faro político do país, estava certo. Todas as ideias ruinosas que inviabilizaram o governo Dilma-2 na política passaram pelo ministro, a começar pela tentativa de implosão do poder peemedebista ainda durante as comemorações da reeleição.
As agruras da presidente no setor, que apenas tornaram impossível executar em tempo o ajuste que talvez pudesse ter aliviado o desastre econômico em curso, começaram quando o Planalto resolveu eleger aliados como o PSD de Gilberto Kassab para esvaziar o PMDB. O paroxismo do processo ocorreu na disputa pelo comando da Câmara dos Deputados, quando o PT foi humilhado por Eduardo Cunha.
Não deixa de ser inacreditável que o mesmo movimento, o de agora vitaminar o PL de Kassab, tenha voltado a ocorrer no meio das negociações para tentar salvar o mandato de Dilma.

LISTA DE PROBLEMAS

A lista de problemas atribuídos à inabilidade de Mercadante só fez crescer, passando pelas respostas aos protestos contra Dilma e a ingerência na área conflagrada área econômica do governo ao lado do também "desenvolvimentista" Nelson Barbosa (Planejamento), em oposição ao "fiscalista" Joaquim Levy (Fazenda).
O erro fatal foi a alienação do vice-presidente, Michel Temer (PMDB). Herdeiro constitucional no 
 de um impeachment, Temer foi primeiro elevado à condição de negociador com o Congresso, só para ver seu poder ser esvaziado pelos "nãos" da Casa Civil. Deu no que deu: o vice hoje é uma figura alienígena no centro do governo, e a reforma ministerial como está sendo desenhada poderá até agradá-lo, mas é altamente improvável que o traga para o lado de Dilma novamente.
Isso é péssima notícia quando todo o eventual curso de um processo de impedimento está nas mãos do PMDB de Temer, Renan Calheiros (Senado) e Cunha. O presidente da Câmara é o pai do rito, e mesmo tendo sido alvejado de forma decisiva pela Lava Jato, mantém gordura política a ponto de ver nomes ligados a si como ministeriáveis. Tudo contra o impeachment.
Não será sentida a ausência de Renato Janine Ribeiro, ministro da Educação que saiu da academia pró-PT e cheia de autoelogios (era "professor de ética", afinal, piada pronta no governo federal) para uma das pastas mais importantes do país. Não mostrou a que veio, com exceção de uma prolífica produção de posts de Facebook, inclusive sobre seu estado civil. Na prática, o pessoal de Mercadante ainda mandava no ministério, e isso, somado à inapetência gerencial de Janine, fizeram o setor paralisar neste ano.
O resto da reforma vai sendo alinhavado com seu fim último, o controle da ameaça congressual contra o mandato de Dilma. Pode dar certo momentaneamente, mas é bom frisar que o Tribunal de Contas da União ainda nem entregou seu parecer que irá rejeitar as contas da presidente e apontar violações de responsabilidade fiscal. A situação permanece delicada para o Planalto. 

Michel Temer recebe líderes pró-impeachment 127

Josias de Souza 30/09/2015 11:22


Num instante em que Dilma Rousseff fecha uma reforma ministerial concebida para deter o avanço do impeachment, Michel Temer recebe neste final de manhã de quarta-feira todos os líderes dos partidos que se empenham para abrir na Câmara um processo de cassação do mandato da presidente da República.

Participam da conversa com Temer, que ocorre nesse momento: Carlos Sampaio, líder do PSDB; Mendonça Filho, do DEM; Bruno Araújo, da minoria; Arthur Maia, do Solidariedade; Rubens Bueno, do PPS; André Moura, do PSC; e Fernando Bezerra Filho, do PSB.

O pretexto para a conversa é a tentativa de restabelecer o financiamento privado das campanhas eleitorais, vetado pelo STF. Os líderes oposicionistas alegam que Temer pode auxiliar na construção de uma saída para o problema. Uma desculpa frágil, já que a caravana inclui Rubens Bueno, cujo partido, o PPS, se opõe ao financiamento privado. Na prática, o modelo de financiamento eleitoral é mero álibi para que a oposição abra canal direto com Temer, beneficiário de um eventual pedido de impeachment.

Coube ao deputado Carlos Sampaio, líder do PSDB, a iniciativa de procurar Temer. Falando em nome de todo o grupo, ele pediu a audiência. Para atribuir ao encontro ares de normalidade institucional, Temer marcou a conversa para o gabinete da vice-presidência. Desse modo, a oposição fincará sua bandeira no edifício anexo do Palácio do Planalto sem que Temer possa ser acusado de conspirar à sombra contra a inquilina do prédio principal.

A aproximação entre a infantaria do impeachment e a intendência do vice-presidente ocorre em momento crucial. Conforme já noticiado aqui, a oposição adiou para o final de outubro a apresentação do recurso que levará o impeachment ao plenário da Câmara. Fez isso porque deseja medir a temperatura do PMDB de Temer depois da reforma ministerial de Dilma. Nesse contexto, o encontro desta quarta-feira serve para sinalizar que a oposição não desistiu de apear Dilma e que a carta de Temer continua no baralho.

Ouvida pelo blog, a assessoria de Temer explicou a reunião com os líderes oposicionistas assim: “Trata-se de um encontro absolutamente normal. É preciso recordar que foi graças à interlocução ampla do vice-presidente que ele conseguiu votos inclusive na oposição para aprovação do ajuste fiscal do governo. É essa capacidade de dialogar com todos os setores da sociedade, uma característica de sua vida pública, que faz de Michel Temer um político diferenciado.”

– Atualização feita às 14h32 dssta quarta-feira (30): Encerrada a reunião com os líderes oposicionistas, Temer disse meia dúzia de palavras sobre financiado privado. Para contornar a vedação imposta pelo STF, recomendou a conclusão da votação de proposta de emenda constitucional já apreciada pela Câmara: “Como presidente do PMDB, falei que se tentasse aprovar aquela PEC que está no Senado Federal, porque resolve a matéria referente a financiamento de campanha eleitoral e acaba contornando a própria declaração adequada do STF, referente à inconstitucionalidade da lei. Evitaria a derrubada do veto [presidencial]'', disse.
 

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