O esforço de Dilma para ficar mais três anos e três meses no poder ; NO FIM DA FILA - Análise do ITV

Se a Igreja pode ter dois papas — ou quase isso: um emérito e outro de fato —, por que o Brasil não pode ter dois presidentes, não é mesmo? Dilma anuncia nesta sexta a sua “reforma ministerial anti-impeachment”, que sai quase ao gosto de Lula. E olhem que nem foi uma decisão que ele tomou com o cérebro: quem quer que tenha ouvido o ex-presidente falar a verdade sabe que ele preferiria que a sua sucessora fosse impichada ou renunciasse. Mas o PT já não sabe mais viver sem as tetas oficiais.

Então vamos lá. A conselho do demiurgo, Dilma resolveu dar um ministério a mais para o PMDB numa reforma que, para todos os feitos, corta nove pastas. Mas é tudo brincadeirinha.

Deputados do partido assumirão a Saúde (Marcelo Castro-PI) e a Ciência e Tecnologia (Celso Pansera-RJ). Mantiveram seus cargos Kátia Abreu (Agricultura), Eduardo Braga (Minas e Energia), Eliseu Padilha (Aviação Civil) e Eduardo Alves (Turismo). Helder Barbalho, que não entende nada de Pesca hoje em dia — ministério que será fundido com o da Agricultura —, continuará a não entender nada nos Portos.

Lula patrocinou ainda a ida dos petistas Jaques Wagner para a Casa Civil — o que realocou Aloizio Mercadante na Educação — e de Ricardo Berzoini para a Secretaria de Governo. Em tese ao menos, passa a ser o coordenador político do governo. Miguel Rossetto fica com o Ministério do Trabalho e Previdência, mas calma! O petista Carlos Gabas fica com a subpasta da Previdência, que já é sua, e José Lopes Feijoó, chefão da CUT, com a do Trabalho.

Que fique claro, o tal enxugamento que Dilma promete nos ministérios é de mentirinha. As estruturas das pastas que serão fundidas permanecerão intactas. É o que acontecerá também com o ministério que resultar da fusão das secretarias das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

Haverá um só titular, mas as subpastas manterão sua identidade. Estavam na parada até o fim da noite desta quinta para assumir o cargo as deputadas Moema Gramacho (BA) e Benedita da Silva (RJ), mas a atual ministra da Igualdade, Nilma Lino Gomes, contava com o apoio da maioria dos parlamentares petistas.

O PCdoB e o PDT continuam no governo: Aldo Rebelo deve representar o primeiro partido no Ministério da Defesa, e o deputado André Figueiredo (CE) representará o segundo no Ministério das Comunicações.

Lula foi malsucedido num único esforço: queria trocar Joaquim Levy, da Fazenda, por Henrique Meirelles, que, segundo as suas considerações, seria igualmente bem recebido pelo mercado e, na cabeça do Babalorixá de Banânia, é mais maleável às vicissitudes políticas. Mas aí esbarrou numa questão pessoal: Dilma não suporta Meirelles e tem lá um pouco de amor-próprio, não é?

A sorte está lançada. É assim que Dilma pretende ficar mais três anos e três meses no poder. 

Por Reinaldo Azevedo

NO FIM DA FILA

Carta de Formulação e Mobilização Política - Sexta-feira, 2 de outubro de 2015
O Brasil despencou no ranking global de competitividade, num retrocesso que vem sendo recorrente nos anos Dilma. É como se o país estivesse sendo derrotado por ele mesmo

O governo petista adora usar uma suposta crise externa como bode expiatório para seus fracassos internos. Quando a onda era boa, o mérito estava aqui dentro; quando a bonança passou, o problema está lá fora. É uma pena que avaliações objetivas contradigam a baboseira retórica do discurso oficial.

Nesta semana, mais uma edição de um dos mais representativos estudos anuais sobre as condições globais da economia foi publicada. Todo mês de setembro, o Fórum Econômico Mundial (WEF) divulga seu ranking de competitividade, no qual é possível verificar como se comportam os países em comparação com seus concorrentes.
Para o Brasil, a conclusão deste ano é vexatória: fomos o país que mais andou para trás no último ano. Não se trata, infelizmente, de comportamento anômalo para os padrões verificados na era petista e, mais especialmente, nos anos de governo de Dilma Rousseff. Nosso retrocesso tem sido reiterado e recorrente.
O Brasil caiu nada menos que 18 posições no ranking deste ano e passou a ocupar a 75ª posição entre 140 países.
Nunca antes na história, o país apareceu tão mal na listagem do WEF. Entre os fatores que pesaram para tamanha queda estão corrupção, descalabro fiscal, inflação alta, fraco desempenho econômico e perda de credibilidade dos governantes.
Não foi apenas no resultado geral que o Brasil foi muito mal. No quesito "desvio de recursos públicos", o Brasil passou a ocupar o penúltimo lugar, só à frente da Venezuela entre os 140 países do ranking.
Também estamos entre os piores em desperdício de dinheiro, em ambiente econômico (queda de 32 posições) e em confiança nas instituições - e ainda somos a economia mais fechada, com infraestrutura sofrível. Em educação superior e treinamento, caímos 52 posições num único ano.
A queda foi tão pronunciada e o país piorou tanto, que, ainda que as demais nações não tivessem melhorado nadinha, teria caído assim mesmo. É como se o Brasil tivesse sido derrotado por ele mesmo.
Não é difícil entender por que o país vai tão mal. Estamos há anos sem promover reformas estruturais que permitam à nossa economia produzir mais e competir em melhores condições no cenário global. Pior: com o PT, enveredamos por caminhos que nos levaram a direções opostas às que deveríamos ter trilhado. Demos de cara com um beco sem saída.
O mundo viveu, até 2008, um dos períodos de maior prosperidade da história. Muitos países aproveitaram o vagalhão para ir muito mais longe. O Brasil ficou a ver navios. Quando a maré baixou, nossos problemas haviam se agravado e a bonança revertera-se em tempestade sem que nada de mais duradouro houvesse sido construído. É um crime de lesa-pátria, cujo preço será pago por gerações. Que não restem dúvidas: o problema do Brasil é o governo do Brasil.
 

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