O sapo, a fervura e o campo minado // Robson Merola de Campos
 Eu já utilizei a metáfora do sapo na água fervente, mas, explicarei de novo. Jogue um sapo em uma panela com água fervendo e ele pulará instantaneamente. Porém, se colocar o mesmo sapo em uma panela de água fria e for elevando lentamente a temperatura ele acabará morrendo cozido.  É exatamente o que tem acontecido com o Brasil dos últimos anos. Nós estamos entorpecidos dentro da panela com água fervendo e se não saltarmos logo, acabaremos morrendo cozidos.

Não é sem propósito que escrevo isso. Senão vejamos a atual situação do Brasil. Vivemos em um país cuja cúpula do governo claramente impõe um projeto de poder em detrimento de nossa identidade nacional. Nunca se viram tantos escândalos de corrupção e com números tão astronômicos de prejuízo para o erário público. A desagregação dos nossos valores morais, com a liberação das drogas, os ataques contínuos à família (incluindo a famigerada ideologia de gênero, que agora chegou também aos documentos públicos) são outros exemplos. A incompetência administrativa do governo pode ser verificada no retorno da inflação, os aumentos contínuos do combustível, gás de cozinha, energia elétrica, as altas taxas de desemprego, o aumento dos impostos, a falta de comando firme e seguro. Que tal lembrar também do fatiamento da Operação Lava Jato e o evidente fisiologismo de grande parte dos Ministros do STF? Acrescente-se a tudo, mas, sem esgotar a lista, o fato de que querem também amordaçar os cidadãos que ousam criticar o governo, impondo inclusive penas de prisão. A mentira tornou-se a ordem do dia, utilizada sem o menor pudor, diante de qualquer plateia: basta ver o descompasso entre o discurso da presidente na ONU e a realidade do Brasil. Não se deve esquecer também o alinhamento explícito e o apoio financeiro para as ditaduras da América Latina. Diga-me com quem andas, que eu te direi quem és...

Acrescente-se a tudo isso o divulgado veto presidencial à impressão do voto eletrônico. As urnas eletrônicas são o maior engodo do Brasil da era petista. Já escrevi e repito: ou acabamos com ela ou o próximo presidente do Brasil poderá ser o porteiro do prédio da esquina. Basta o PT querer e indicar o nome!

No conjunto tudo demonstra que se depender da vontade de quem hoje nos governa, em breve estaremos vivendo em um regime de exceção. Ou seja, O Brasil está se transformando em uma ditadura.

Enquanto isso, alguns políticos fisiológicos que só se preocupam com status, poder e dinheiro, rateiam entre si cargos e ministérios. Vivem em um mundo de fantasia sem enxergar que o Brasil não consegue mais suportar o descalabro atual. Sob a desculpa de não aumentar o déficit mantiveram os vetos presidenciais do famoso pacote fiscal. Ora, o que mudou no intervalo entre a primeira votação e a posterior sobre a mesma matéria? Apenas o loteamento de cargos e a utilização ostensiva da tal reforma ministerial para Dilma ganhar sobrevida no poder. A última pesquisa do IBOPE revelou que Dilma continua amargando – merecidamente – a reprovação de nove entre cada dez brasileiros.

O Brasil está agonizando na fervura. Está faltando patriotismo de boa parcela do povo brasileiro e também de muitas de nossas “lideranças”. Justiça seja feita, muitos têm lutado contra o atual estado de coisas. Infelizmente suas palavras não têm encontrado eco na grande mídia. E para grande parte do povo brasileiro, que não gosta ou não quer discutir “política”, se o fato não apareceu na novela das oito ele simplesmente não existe. Em qualquer país sério do mundo, que enfrentasse tal estado de coisas, o povo já teria ocupado as ruas e não sairia de lá enquanto esse governo corrupto e corruptor não saísse de cena.

Sob o manto da patrulha ideológica do politicamente correto o Brasil está se rendendo a uma doutrina que nos é completamente estranha. E o que é pior: está se rendendo sem lutar. Em uma luta democrática só se vence com participação maciça da população. Nosso povo, pobre povo brasileiro, está por demais preocupado com os pequenos prazeres do dia a dia e tem se esquecido de suas responsabilidades. E muitos que estão em posição de gritar e liderar estão se omitindo.

É possível que em um futuro próximo, quando a vida do brasileiro se tornar insuportável, o povo se revolte e se volte contra tudo e contra todos. Não há como segurar a turba. Nem tiros conseguem frear uma multidão enfurecida. A violência é cega e turva a razão. Estamos caminhando sobre um campo minado. E quando a primeira mina explodir será muito difícil interromper a violência que se seguirá.

Ainda é possível salvar o Brasil democraticamente. Mas isso exige que cada um de nós assuma a sua parcela de responsabilidade. Que terrível e temível palavra para muitos: responsabilidade! A palavra responsabilidade está relacionada com a palavra em latim respondere, que significa "responder, prometer em troca". Desta forma, uma pessoa que seja considerada responsável por uma situação ou por alguma coisa, terá que responder se alguma coisa corre de forma desastrosa (*). Lembrei-me agora do famoso bordão do MOBRAL do final dos anos 1960: “você também é responsável!” É bom não nos esquecermos disso. O julgamento da história costuma ser implacável.

Está na hora de cada brasileiro assumir a sua parcela de responsabilidade para salvar o Brasil. Se não fizermos isso, pelo andar atual da carruagem, difícil imaginar que o Brasil não caminhe a passos largos para o desastre e para a convulsão social.

 

 
 

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