Engenheiro alertou para risco de ruptura em barragem de Mariana
 Essa gente deveria estar todos na cadeia fizeram um crime terrível  e até agora ninguém foi punido.

Engenheiro alertou para risco de ruptura em barragem de Mariana

Projetista responsável por Fundão diz que avisou Samarco após inspeção em 2014



Vista aérea da destruição provocada pelo rompimento de barragem no distrito Bento Ribeiro, em Mariana - Christophe Simon / AFP / 6-11-2015
RIO — O engenheiro Joaquim Pimenta de Ávila, responsável pelo projeto da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, alertou a mineradora Samarco sobre um princípio de ruptura na estrutura, um ano antes do rompimento. A constatação foi feita durante uma inspeção, em setembro de 2014, e revelada pelo engenheiro em depoimento à Polícia Federal (PF). A história foi revelada neste sábado pela “Folha de S. Paulo”.

— Identifiquei na inspeção que a barragem tinha sofrido um princípio de ruptura e que isso significava uma situação de risco que deveria ser mitigada. Indiquei três providências: redimensionar o reforço (na barragem), instalar piezômetros (instrumentos que medem a pressão da água) e, se indicassem pressão elevada, rebaixar o nível da água (bombeando-a para fora da barragem) — disse ao GLOBO, por telefone. — Relatei no depoimento (à PF) o resultado da inspeção em que identifiquei o risco e pus no relatório (enviado à Samarco).
No depoimento, em dezembro do ano passado, ele classificou a situação que verificou em 2014 como “severa” e disse que necessitava de providências maiores do que as que a “Samarco estava tomando”. Ao GLOBO, Ávila disse que não sabe dizer se a mineradora adotou as medidas recomendadas, porque não voltou à barragem.

Segundo o engenheiro, o princípio de ruptura foi verificado em um recuo da barragem que não fazia parte do projeto original. Ávila acompanhou a construção até 2012, quando sua empresa perdeu a concorrência realizada pela Samarco. Em 2014, foi novamente chamado, desta vez para fazer uma inspeção. O Ministério Público de Minas Gerais já anunciou que investiga possíveis alterações no projeto original que não tenham sido autorizadas pelos órgãos competentes.

— Pelo projeto original, a barragem tinha um eixo reto. Com o recuo, o eixo ficou curvo. O que sei dizer é que o que estava lá não era o meu projeto — afirmou Ávila.

A Samarco, empresa que pertence à Vale e à BHP Billiton, alega que a construção do recuo foi necessária em função de um “problema estrutural na galeria secundária da barragem”. Para Ávila, a versão “não é muito consistente”. A mineradora disse que ocorrências surgidas no processo de manutenção de barragens foram cumpridas em 2014. A Samarco sustenta que a barragem tinha piezômetros instalados em toda a extensão, inclusive no recuo. Ainda de acordo com a mineradora, os resultado mostrados pelos piezômetros estavam adequados.

 
 

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