Semana explosiva. Novas delações podem levar à prisão preventiva de Lula
 
Hermano Leitão

Para quem achava que a semana passada alçou o pico de turbulência na política do País, é bom colocar as barbas de molho, porque o que está na agenda de 7 a 13 de março é de causar infarto do miocárdio aos corruptos implicados na Lava-Jato.

Ali Babá e os 40 ladrões – A 24ª fase da Operação Lava-Jato, deflagrada na manhã de sexta-feira (4) e que teve como alvo o ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, flagrou o ex-presidente pego com a mão na botija: 11 containers com objetos que foram retirados do Palácio do Planalto, do Palácio da Alvorada e da Granja do Torto. Ele recebeu favores e vantagens indevidas e ilícitas de empreiteiras (OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e UTC) que participavam do Petrolão, esquema de corrupção da Petrobras.

Dado o grande volume de material apreendido, os peritos da Policia Federal apresentarão nesta semana não só os detalhes escondidos, mas, também, as implicações para outras 40 pessoas (os filhos, Marisa Letícia, Paulo Okamotto, entre outros) ligadas a Lula.

De antemão, já se sabe que a OAS pagou cerca de R$ 1,3 milhão para a armazenagem de itens retirados do Palácio do Planalto na saída de Lula da presidência. E apesar de a negociação do armazenamento ter sido feita por Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula desde o fim de 2011 e sócio do ex-presidente na LILS Palestras desde sua constituição em março de 2011, o contrato foi feito entre a OAS e a empresa armazenadora.

Nesse contrato, seu real objeto foi escondido, pois houve falsificação do documento para dele constar que se tratava de “armazenagem de materiais de escritório e mobiliário corporativo de propriedade da construtora OAS Ltda”. A mina de ouro será revelada em riqueza de detalhes e o quanto Lula se locupletou com o esquema que articulava com as empreiteiras para financiar a si próprio e o projeto de poder do Partido dos Trabalhadores.

Homologação da delação de Delcídio – Em esforço de trabalho em pleno domingo (6), o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, decidiu homologar a delação premiada do senador Delcídio do Amaral, do PT do Mato Grosso do Sul e ex líder do governo Dilma no Senado. Que rufem os tambores!

Diante dos fatos e provas trazidas nesta delação, Dilma não se sustentará em pé. De quebra, Delcídio também joga uma pá de cal em Lula ao responsabilizá-lo por mandar pagar mesada para a família de Cerveró, a fim de que este ficasse calado, além de prometer uma rota de fuga para ele e dinheiro para pagar o silêncio de outras testemunhas.

Para muitos implicados na Lava-Jato, Delcídio exporá os esqueletos da Petrobras com profundo conhecimento de causa. A delação de Delcídio do Amaral será o fundo do poço profundo.

Delação de Léo Pinheiro – O ex-presidente e sócio da empresa OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, codinome Léo Pinheiro, fez acordo de delação premiada na Operação Lava Jato. Léo, um dos homens mais próximos do ex-presidente, assim como o pecuarista José Carlos Bumlai, detalha que as reformas do apartamento tríplex no Guarujá (SP) e do sítio do Atibaia (SP) ocorreram a pedido do ex-presidente e foram custeadas com recursos desviados da Petrobras.

Léo Pinheiro também revela que ex-presidente fez lobby em favor da OAS no Peru, Bolívia e em países da África. Ainda, esse amigo íntimo de Lula esclarece sobre o pagamento milionário de propina disfarçada em prestação de serviço de palestras. O Instituto Lula também foi financiado com recursos desviados da Petrobras, segundo as informações de Léo Pinheiro. A documentação desse colaborador é a mais farta já apresentada aos investigadores da Lava-Jato.

Delação de Pedro Corrêa – A semana também trará notícia da homologação da delação premiada de Pedro Corrêa, ex-presidente do Partido Progressista (PP) e preso na Lava Jato há quase um ano. Tão bombástica quanto a delação de Delcídio do Amaral, a de Côrrea não deixará dúvida de que Lula sempre foi o chefe dos esquemas de pagamento de propina a agentes políticos e se beneficiou pessoalmente dos desvios de recursos das estatais brasileiras.

Será também subsídio fático para o decreto de prisão preventiva de Lula na sequência da homologação. Em adição, Pedro Corrêa também implica Dilma Rousseff, o chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, e o titular da Defesa, Aldo Rebelo. É chumbo de grosso calibre.

Rito do impeachment – O ministro Luís Roberto Barroso, relator no Supremo Tribunal Federal (STF) da ação que definiu o rito do impeachment, divulgará o Acórdão do julgamento, em definição do processo que tramitará no Congresso Nacional. Na prática, haverá correção de alguns procedimentos (voto aberto, chapa avulsa, papel da Câmara e do Senado) e, mais importante, destravará o encaminhamento da cassação de Dilma no Juízo político.

Por ironia do destino, o que era uma intervenção favorável do ministro Barroso para Dilma virou uma maldição do tempo, quando as operações Acarajé e Aletheia da Polícia Federal colocaram a presidente no centro do escândalo de corrupção da Petrobras e como beneficiária do esquema de desvio de propina nas duas campanhas eleitorais.

Fica evidente também que Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional, era o braço direito e o olho de Dilma no propinoduto. E Pasadena pega fogo! Passa Dilma!

Convenção do PMDB – A Convenção Nacional do PMDB está marcada para o dia 12 de março, em Brasília. O encontro será realizado das 9h às 17h no Centro de Eventos Brasil 21 e contará com a delegação do partido de todos os estados e do Distrito Federal.

Na pauta, a eleição de seus dirigentes e o desembarque do governo Dilma. Em nome de uma unificação do Partido, Michel Temer será aclamado para presidência da Executiva Nacional, para seguir com sua Ponte para o futuro. Em termos práticos, o PMDB se engajará no processo de impeachment de Dilma, para sugerir a legenda como travessia da crise. É o dia do desembarque da morta Dilma.

As vozes da rua no dia 13 – Os movimentos em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff terá um teste de fogo no próximo dia 13 de março. Entidades de classe, partidos políticos, movimentos de rua, correntes de rede social, entre outros, se mobilizam para elevar o tom pelo impeachment já.

Todos sabem da necessidade inexorável da participação massiva da população, a fim de dar um recado claro quanto à impossibilidade de Dilma continuar no governo e de se tolerar a permanência de uma organização criminosa no poder. A militância do PT e franjas também convocaram atos pró-Dilma no mesmo dia, em mais um ato de desespero político e tentativa de confronto nas ruas.

Isso não vingará. As ruas estarão lotadas de manifestantes em verde e amarelo e as vozes da rua gritarão pelo repudio à corrupção e à cleptocracia. “Fora Dilma” e “Fora PT”. É o dia “D”. De desembarque de Dilma.
 
 

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