A sociedade secreta de Lula
A sociedade secreta de Lula com as empreiteiras envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobras

Em 6 de março de 2016 18:05, Luis Arnaldo escreveu:
A sociedade secreta de Lula, com as empreiteiras envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobras, rendeu favores, mordomias e mais de 40 milhões de reais ao ex-Presidente


Durante anos, o ex-Presidente Lula esforçou-se para manter viva a imagem do homem comum, do político honesto que exerceu o poder em sua plenitude e permaneceu impermeável às tentações. Para os incautos, ele morava, até hoje, no mesmo apartamento modesto, em São Bernardo do Campo (SP), e conservava hábitos simples, como carregar na cabeça uma caixa de isopor cheia de cerveja. 

Longe dos holofotes, Lula se acostumou com a vida faustosa. Longe dos holofotes, o petista cultivava hábitos sofisticados. Longe dos holofotes, o petista se tornou milionário. E a origem do dinheiro que ele acumulou, em boa parte, está nas empreiteiras acusadas de participar do bilionário esquema de desvio de dinheiro da Petrobras, criado em seu Governo. 

O mito começou a desabar quando as investigações da Lava-Jato revelaram os primeiros sinais de que ele, seus filhos, parentes, amigos e aliados estavam todos esparramados, de alguma forma, na gigantesca bacia da corrupção. 
Para além do apartamento de São Bernardo, o Lula, mais próximo da realidade, havia comprado um apartamento tríplex, de frente para o mar, em Guarujá, no litoral paulista, e um sítio, nas montanhas de Atibaia, no interior do Estado. As duas propriedades, porém, nunca estiveram em seu nome. Ambas foram reformadas e equipadas por empreiteiras do petrolão. 

O sítio, para o qual Lula enviou parte de sua mudança, logo após deixar o Planalto, está, até hoje, em nome de dois sócios de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, o filho mais velho do ex-Presidente. E o tríplex nunca saiu do nome da OAS, uma das maiores companhias acusadas de distribuir propinas a Partidos e políticos, em troca de contratos na Petrobras. 

Em 2015, reportagens de VEJA abriram caminho para o que resultaria na mais constrangedora cena da vida de um político.

A MENTIRA COMO MÉTODO
Até a semana passada, o ex-Presidente continuava negando, peremptoriamente, ser o dono do sítio e do tríplex. Os policiais e procuradores, porém, não têm dúvidas de que saiu dos cofres das empreiteiras do petrolão o dinheiro usado para comprar o sítio, em 2010, meses antes de Lula deixar o Planalto. 

Um presente que, suspeitam os investigadores, Lula teria recebido quando ainda era Presidente, o que configuraria crime de corrupção e improbidade administrativa. 

As empreiteiras também cuidaram dos detalhes, para que a propriedade ficasse ao gosto de Lula e de sua família. Bancaram as obras no sítio, como a construção de uma nova sede com quatro confortáveis suítes e de um tanque para pescaria. Pagaram, até ,a mobília. Os móveis da cozinha foram encomendados pela OAS em uma loja de luxo. 

A história do tríplex enreda Lula, ainda mais, nas tramoias das empreiteiras do petrolão. Como VEJA revelou, foi  ele quem convenceu a OAS a assumir as obras deixadas, para trás, pela Bancoop, cooperativa que foi à bancarrota, após desviar o dinheiro de milhares de associados para os cofres do PT. Pedido de Lula, sabe-se, agora, era ordem, e a OAS topou. 

Um dos projetos assumidos pela Empreiteira foi, justamente, o do Edifício Solaris, no Guarujá, onde Lula teria uma unidade. A OAS não só evitou o prejuízo a Lula, tirando o projeto do prédio do papel, como aproveitou a oportunidade para afagar o petista. Reservou, para ele, um tríplex, na cobertura do edifício - e cuidou para que, a exemplo do sítio, o apartamento ficasse ao gosto da família.

A Empreiteira investiu quase 800 000 reais, apenas, numa reforma, que deixou o imóvel com um elevador privativo e equipamentos de lazer de primeiríssima qualidade. Sem constrangimento, Lula e a ex-primeira-dama Marisa visitaram as obras na companhia de Léo Pinheiro, Presidente da OAS.

Tudo estava ajustado para que a família começasse,logo, a desfrutar o apartamento. Mas veio a Lava-Jato e os planos mudaram. Lula, então, passou a dizer que tinha, apenas, uma opção de compra do apartamento - e que desistira do negócio. O argumento não convenceu a Polícia. 
USOU ESFOMEADOS PARA ENRIQUECER 

Paralelamente, a Lava-Jato também mapeou as transações financeiras do Lula. No ano passado, VEJA revelou que a LILS, empresa de palestras aberta por Lula, logo após deixar o Planalto, recebera 10 milhões de reais só das Empreiteiras do petrolão. 

Agora, as transações foram anexadas à investigação, como indício de que os pagamentos, na verdade, serviram para maquiar vantagens indevidas que o presidente recebeu por "serviços" prestados às empreiteiras. 

Executivos da OAS, ouvidos pela Lava-Jato, por exemplo, disseram à Polícia que não se recordavam de palestras do Lula na empreiteira - no papel, a OAS pagou 1,2 milhão de reais à LILS. 

A empresa de palestras não era a única fonte dos repasses milionários a Lula, que teve seus sigilos fiscal e bancário quebrados pelo juiz Sergio Moro. O Instituto Lula, entidade, sem fins lucrativos, criada pelo petista com o propósito altruísta de acabar com a fome na África e desenvolver a América Latina, também era destinatário de repasses milionários das companhias que fraudaram a Petrobras. 

Dos 34,9 milhões de reais recebidos pelo instituto, entre 2011 e 2014, a título de doações, 20,7 milhões foram repassados pela Camargo Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão, OAS e Andrade Gutierrez, todas investigadas. 

A farra acabou. Disse o Ministério Público Federal no pedido que resultou na condução coercitiva : "Há elementos de prova de que Lula tinha ciência do esquema criminoso engendrado, em desfavor da Petrobras, e, também, de que recebeu, direta e indiretamente, vantagens indevidas decorrentes dessa estrutura delituosa".
  04.03.2016
 

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