Érica, Hugo, Marcelo, "Seu" Paulo, a canalhada e as barbas de molho
 Caro leitor;

Sábado chuvoso, cansado de ler as podridões da política, resolvo assistir televisão. Nada especial. Ligo no Luciano Hulk e eis que estava contando a história de vida de Érica Nunes. Em síntese. Órfã de pai aos dois anos de idade. Assassinado. Trabalhava para o "Movimento"; leia se tráfico, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro. Vida comum de criança pobre, miserável, negra, acaba indo para as ruas. "Menina de Rua". "Menor abandonada"! Lembro do

Darcy Ribeiro dizendo que não existem bezerros ou carneiros largados. Só crianças! Envolvimento com drogas, recolhida por três vezes ao "Sistema". Aí conhece uma das funcionárias que lhe deu severidade, limites, com muito afeto. Eis o segredo que muitos pais, ditos de família, se esquecem. Fazem exatamente o contrário. Leniência, permissividade e consumismo.

Voltando a nossa Érica,vai aprendendo uma profissão, assistente administrativa. Passa a ter presente e futuro. Conhece, e casa-se, com o Hugo.. Estão casados há quinze anos. Para sobreviverem montam um Centro de Formação de Barbeiros. Tem alunos pagos e, uns poucos, gratuitos . Ensina a cortarem os cabelos nos estilos e penteados que agradam aos adeptos do funk. Claro que a emoção de quem assistia era total. Choravam muito.. Eu também. Um caso de superação de quem não pode esperar as morosidades de governo e, nem, o clientelismo da canalhada política.

Passa o apresentador para a atração seguinte. Era um xará meu. Marcelo Teixeira. Faxineiro. Na verdade um faz tudo. Vive de bicos. Como disse, faxina, ajudante de pedreiro, o que vier faz para sustentar a família. Mulher e seis (6) filhos! Ele foi descoberto pela produção, por ser um tremendo compositor. Excelente! Fazem uma armação e o levam ao Programa onde, sem saber assiste a um de seus sambas sendo interpretado por cantores de sucesso. Outra emoção forte. Dele, da mulher, do auditório e, volto a dizer, chorei muito.

Acabo fico na janela de casa, pensando, quando vejo passar o "Seu" Paulo. Idoso que empurra a Charretinha, com cavalo de pau, para as crianças da praça em frente. Faz com prazer e, sobretudo, muita necessidade.

Continuei, e continuo, fazendo jus ao nome da coluna, refletindo. Vendo a qualidade do nosso povo; a sua capacidade de superação e me indago para onde vamos. Qual o nosso futuro? Confesso que se a Érica/Hugo, o Marcelo e o "Seu" Paulo me dão alento, esperança, fico muito para baixo ao ver a nossa "elite" e os nossos "políticos". A roubalheira, a canalhice é generalizada. É suprapartidária e em todos os níveis de governo. A falência das unidades da Federação não acontece por "obra e graça do Espírito Santo". É consequência da ação constante da dita classe política.

É bom os "líderes" da nação colocarem as suas "barbas de molho". A paciência da população está mais do que esgotada. Não adianta os PTistas argumentarem que nas passeatas só havia a classe média branca. Não tinham pobres e negros. Argumento falso! Primeiro, mesmo que fosse, eles, como qualquer cidadão, podem protestar, segundo ,voltem a andar nos transportes públicos e ouvirão o "povo trabalhador" referir-se com saudades ao "tempo dos militares". Vocês não ouvem porque, ao "aburguesarem-se", só desfrutam as benesses dos recursos surrupiados. Por outro lado a hostilidade sofrida pelo Governador Alckimin e o Senador Aécio, sinaliza para a oposição que, para o homem comum, eles todos são "farinha do mesmo saco". Os gritos e cartazes contra O Deputado Eduardo Cunha, o Senador Renan Calheiros mostram o extremo de descrédito a que chegaram TODOS!

Por fim, vamos lutando, seguindo o exemplo da Érica/Hugo, do Marcelo e do "Seu" Paulo, mas, não fiquemos, placidamente, esperando que o Juiz Sergio Moro, como um super-herói faça por nós. Façamos a nossa parte, não tiremos os olhos e controlemos os nossos políticos. Estamos em ano de eleições municipais. Olhemos com olhar critico os candidatos. Pesquisemos as suas atuações passadas, descartemos aqueles com campanhas milionárias, aqueles apoiados pelos pilantras maiores que infestam os estados e as Casas da República em Brasília.