Lula tem plano secreto para evitar prisão: pedir asilo à Itália
 Lula tem plano secreto para evitar prisão: pedir asilo à Itália

Ex-presidente e aliados estudam requerer que país europeu o receba como perseguido político. Itália foi escolhida porque sua família tem dupla cidadania

Por: Robson Bonin24/03/2016 às 19:43 - Atualizado em 24/03/2016 às 19:52

GUERRA NA JUSTIÇA - O ex-presidente: sua nomeação para a Casa Civil deflagrou uma guerra na Justiça. Por enquanto, nada de ministérioGUERRA NA JUSTIÇA - O ex-presidente: sua nomeação para a Casa Civil deflagrou uma guerra na Justiça. Por enquanto, nada de ministério(Ricardo Stuckert/Instituto Lula/VEJA)
Numa crise que já revelou tramas e enredos antes inimagináveis, nada mais parece capaz de provocar surpresa nem espanto - e, no entanto, surpresa e espanto insistem em aparecer. Nos últimos dias, VEJA apurou o fio da meada que leva a um plano secreto destinado a tirar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil, caso sua prisão seja decretada. O plano prevê que Lula pediria asilo a uma embaixada, de preferência a da Itália, depois de negociar uma espécie de salvo-conduto no Congresso, que lhe daria permissão para deslocar-se da embaixada até o aeroporto sem ser detido - e, do aeroporto, voaria para o país do asilo.

A cronologia do plano, de acordo com os detalhes que VEJA conseguiu levantar, é narrada na reportagem de capa de VEJA desta semana.
 
Lula, o golpista, admite que está na Presidência e comanda luta contra PF, contra MP e contra a imprensa livre

Em discurso a sindicalistas, Lula exacerba a retórica do confronto e incita seus seguidores contra Lava Jato e contra o jornalismo independente

Por: Reinaldo Azevedo 23/03/2016 às 23:49

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Luiz Inácio Lula da Silva, tudo indica, não vai mesmo conseguir ser ministro no curto tempo que resta a Dilma. Se já estivesse no cargo, teria cometido crime de responsabilidade nesta quarta, conforme define a Lei 1.079. Por quê? Por incitar entes da sociedade a atuar contra o livre exercício da Justiça.

Ele discursou num evento organizado por sindicatos — abaixo, segue o vídeo. E se disse “enojado” com o tratamento que recebe da imprensa e de membros da Operação Lava Jato. Incitou claramente os presentes a atuar contra a força-tarefa, acusando-a de ser uma das responsáveis pela crise que o país atravessa. Chega a ser nojento.

Instruiu claramente os sindicalistas a pressionar policiais e procuradores: “Já ouvi falar que são R$ 200 milhões em prejuízos. Da mesma forma que vocês falam com a Dilma, vocês têm que procurar a força-tarefa e perguntar se eles têm consciência do que estão fazendo com o país”.

Entenderam? Os homens de Lula, os seus patriotas, só fizeram bem ao Brasil. Quem o prejudica, segundo o grande pensador, é a operação de combate à corrupção. Eis o líder que Dilma luta para pôr no ministério, consolidando o golpe que ela já sofreu.

Presidente “de facto”
Não pensem que ele se faz de rogado, não. A partir 1h27min do vídeo, ele diz o seguinte:
“Então, quando a companheira Dilma me convidou para ir para o governo — eu tenho noção política das coisas; eu não sou um analfabeto político como alguns pensam… Eu tenho noção que um ex-presidente conviver com o atual presidente não é uma coisa fácil, eu tenho noção disso. Mas a companheira Dilma já tinha me chamado em agosto do ano passado, e eu não quis. Eu disse: ‘Presidenta, eu não vou aceitar porque não cabe (sic) dois presidente (sic) dentro do mesmo espaço geográfico, dentro da mesma sala. Não vai dar legal. E não aceitei”.

Como se vê, há aí a clara confissão de que, com ele no governo, formal ou informalmente, haveria, na melhor das hipóteses, dois presidentes. Na pior, haveria a situação vivida hoje, há um só: Lula.

É concebível que um presidente da República, “de facto”, como passou a tratar a imprensa internacional, incite sindicalistas contra a Justiça e o Ministério Público?

E ele não parou por aí: Lula hoje é o principal estimulador das ameaças e agressões que jornalistas passaram a sofrer nas ruas. Se as entidades que representam a categoria tivessem um mínimo de vergonha na cara, fariam uma moção de repúdio ao discurso. Ocorre que elas não servem a seus associados, mas são esbirros de um partido.

Disse Lula:
“(com ironia) Gente, os meios de comunicação que me adoram, eu conversava com eles… Eu conversava”.

Aí Lula faz uma pausa, e a plateia grita:
“O povo não é bobo; abaixo a Rede Globo”.

Ele continua:
“Eu tratava com muito respeito, que eles não têm comigo (…) E eu quero dizer que, neste momento, eu estou enojado com o comportamento de determinados setores de comunicação, que transformam, em divulgação de coisa pública, falas particulares minhas no telefone. É um desrespeito à ética e à pessoa humana. Mas não tem problema. Eu não farei o jogo rasteiro que eles fazem comigo. Não farei. (…) Eu tenho muita paciência (…) Esse ato de solidariedade aqui não é para mim. É para o povo brasileiro, que merece respeito daqueles que não querem que a Dilma governe. É um ato de solidariedade a milhões e milhões de trabalhadores que gostariam de ligar a televisão e ver os repórteres falando alguma coisa útil neste país. Este ato é um ato de solidariedade a milhões e milhões de pessoas que estão cansadas, enojadas, de ver tanta besteira na televisão, de ver tanta denúncia, e muitas delas sem provas”.

Lula está cansado da investigação. Lula está cansado da imprensa. Lula está cansado da oposição. Lula está cansado de tudo aquilo que não lhe permite e a seu partido governar como tiranos.

O vídeo vai abaixo. Lula investiu também no arranca-rabo de classes e na guerra entre regiões do país, afirmando que os ricos o discriminam porque tem cara de nordestino, cabeça de nordestino e orelha de nordestino. Lula transformou os nordestinos num fenótipo.

Ao falar do custo da mão de obra no Brasil, fez uma confusão deliberada entre esse conceito e o valor do salário, como a sugerir que o empresariado brasileiro acha que os trabalhadores ganham demais.

Eis aí. Ele está no poder. Ele está, agora de forma confessa, na Presidência da República. Comanda a luta contra a Polícia Federal, contra o Ministério Público e contra a imprensa.

E seus partidários gritam: “Não vai ter golpe”.

Não vai mesmo. Eles vão cair.

PS: A propósito, o que faziam ali os ditos “trabalhadores” numa quarta-feira? Ah, é verdade! Eles não trabalham.

Para os de estômago forte, o vídeo:

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Lula e Cunha agindo igual

Estadão 

Lula, Dilma e o PT sabem que a partir do momento em que forem obrigados a discutir o mérito das suspeitas de corrupção que as investigações policiais estão levantando estarão definitivamente perdidos. Dois em cada três brasileiros estão convencidos de que o ex-presidente praticou ilícitos graves que emergiram – até o momento, repita-se, em relação a Lula, como suspeitas – de dois anos de meticuloso trabalho da Operação Lava Jato e congêneres. E essas suspeitas poderão levar o ex-presidente a fazer companhia a seus amigos empreiteiros de obras públicas que cumprem pena em Curitiba e alhures. Assim, só resta a Lula, a Dilma e ao PT, servidos pelas mais prestigiosas e caras bancas criminais do País, concentrarem-se na arguição de preliminares processuais capazes de adiar indefinidamente o julgamento do chefão do PT. Exatamente o que Eduardo Cunha tem feito, em defesa própria e sob protestos dos petistas, na Câmara dos Deputados.

Nessa tentativa de apelar ao melhor recurso a seu alcance para proteger Lula, os petistas têm colecionado reveses significativos. Na madrugada de ontem, o ministro Luiz Fux não tomou conhecimento do mandado de segurança impetrado na segunda-feira pela Advocacia-Geral da União (AGU) contra a decisão do ministro Gilmar Mendes de suspender a posse do ex-presidente como ministro-chefe da Casa Civil e determinar que o juiz Sergio Moro continue responsável pelas investigações que o envolvem. Fux recusou porque é jurisprudência assentada na Suprema Corte que uma decisão monocrática só pode ser derrubada por decisão colegiada dos ministros. Fux opinou que a decisão de Gilmar Mendes foi “expressivamente fundamentada” e não incorreu em nenhuma “flagrante ilegalidade”. Outra ação, que caiu na mesa da ministra Rosa Weber, teve o mesmo destino.

Essa tentativa frustrada da AGU de salvar a pele de Lula é forte candidata ao grande prêmio no campeonato de despautérios patrocinado pelo governo e pelos advogados do ex-presidente. Agora sob o comando do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, a AGU entrou com duas ações no STF na segunda-feira. Numa delas, na qual pede que seja declarada ilegal a divulgação das ligações telefônicas entre Dilma Rousseff e o ex-presidente, afirmam os advogados da União que a decisão do juiz Sergio Moro de tornar pública aquela conversa telefônica “coloca em risco a soberania nacional, em ofensa ao Estado democrático republicano”. A peça tem, pelo menos, o mérito de ser original: até agora nem mesmo o mais fanático petista tinha cometido o disparate de acusar a Lava Jato de ser uma ameaça à “soberania nacional”.

Salvo a hipótese de uma concepção muito particular de soberania nacional, é o caso de perguntar se o governo Dilma está de posse de informações estratégicas que revelam a existência de inimigos externos à espreita da primeira oportunidade para ameaçar a independência do Brasil. De ameaça interna não se pode cogitar, porque mesmo que a democracia brasileira deixasse de existir com a chegada ao poder de forças totalitárias o Brasil continuaria a ser um país tão soberano quanto a Coreia do Norte. A “ameaça à soberania nacional”, portanto, não passa de mais um tópico vazio de significado que se incorpora ao discurso populista do lulopetismo, como “defesa da democracia” e “não vai ter golpe”.

A propósito da gravação da conversa telefônica entre Dilma e Lula, que deixa clara a intenção do governo de blindar o presidente da “perseguição” do juiz Moro, cabe notar que, com a responsabilidade de sua investidura como chefe do Executivo, Dilma Rousseff tem reincidido, ao falar em atos oficiais, na falsificação dos fatos. Alega, indignada, que foi vítima de grampo por parte da Lava Jato, o que constituiria uma grave infração às prerrogativas presidenciais. Não é verdade. O grampeado, com autorização judicial, era Lula. Ambos conversavam num aparelho para o qual Dilma fez a ligação. Portanto, a presidente escamoteia a verdade ao insistir, fazendo o papel de vítima de uma grave infração que, como disse, nos países civilizados “dá cadeia”. Ademais, se a conversa com seu mestre e chefe foi realmente “republicana”, de que tem tanto medo?
 

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