Prenda-me se for capaz

Pirotecnia, exageros e retórica histriônica à parte, há algo importante na denúncia do Ministério Público ao ex-presidente Lula sob a ótica pragmática dos investimentos: seus desdobramentos podem eliminar de maneira definitiva as possibilidades de sua eleição em 2018.

Entendo que isso é, sim, catalisador relevante para os ativos de risco brasileiro, sobretudo a médio e longo prazo. Primeiro por uma razão pouco nobre: a verdade é que o mercado financeiro morre de medo do Lula. O sujeito abre a boca e todos saem vendendo com medo da volta da esquerda populista ao poder. E segundo, correlacionado ao primeiro, por conta do temor de resgate de uma política fiscal perdulária. O ajuste fiscal brasileiro não pode ser feito em apenas dois anos e meio. Assim, deixa de ser apenas um projeto de Governo, para, necessariamente, virar um projeto de Estado. Se há o risco de abandono da austeridade fiscal a partir de 2018, ninguém vai comprar Brasil com intensidade agora. Por isso, é importante Lula fora da disputa.

Por conta da solidariedade alheia (e eu os agradeço por isso, verdadeiramente), hoje converso com muita gente. É uma das vantagens de a Empiricus ter crescido um pouco. Talvez seja a maior delas. Viramos uma espécie de hub de informações, compiladas junto às melhores cabeças do mercado, que, claro, são devidamente escrutinizadas no momento posterior pela nossa própria equipe.

Conversar com as pessoas certas é uma das coisas mais importantes para um analista de investimento. Se você não o faz, acaba falando com você mesmo. E ai a chance de discordância é bem menor. Eu até resisto a concordar comigo, mas não é fácil. As conversas consigo servem normalmente para reforçar crenças preliminares. Assim, sem a possibilidade de ser confrontado por um antagonista, perdemos a capacidade de avançar a partir de um processo dialético.

Sem ser exposto a novas ideias, novos processos e diferentes tipos de conhecimento, ficamos bastante limitados.

O que eu tenho ouvido por ai? 

Há hoje um otimismo quase consensual entre os grandes investidores sobre ativos brasileiros. Não importa muito se estão em Bolsa ou em prefixados (a maioria vê uma assimetria maior e mais favorável nos juros), mas o recado é claro: risk on. Ou seja, vale a pena adicionar um pouco mais de risco às carteiras em busca de maior retorno. Escutei isso inclusive de pessoas que vinham há anos pessimistas com Brasil, certas de que quebraríamos (literalmente) caso o governo Dilma chegasse até 2018.

Isso obviamente não quer dizer ausência de riscos, tampouco caminhada linear para cima. Haverá volatilidade, muitos sustos no meio do caminho. O mercado testa sua convicção a cada dia e o MTM não tem uma vírgula de consideração sobre sua ansiedade. 

Entre as ameaças maiores, China (muita dívida e uma transição capciosa de investimento para consumo), Fed, eleições nos EUA (35 por cento de chance de Trump já é bastante preocupante) e fiscal por aqui.

Além disso, o curto prazo pode ser especialmente desafiador, com a percepção de que a farra dos Bancos Centrais não pode continuar ad infinitum. A volatilidade vinha muito baixa e os ativos de risco brasileiros haviam subido rapidamente, o que abre espaço para uma natural correção.

Nada, porém, capaz de alterar a rota mais estrutural para cima. Muita coisa boa já aconteceu nos últimos seis meses. Há um ambiente favorável a emergentes por conta da liquidez internacional e as coisas mais importantes da agenda política (PEC do teto dos gastos e reforma da Previdência) devem passar. Ou seja, ainda que o cenário tenha piorado na margem desde sexta-feira, havemos de comprar juro (parte intermediária da curva parece a favorita) e Bolsa (bancos são quase unanimidade).

A calmaria parece voltar aos poucos aos mercados. Bolsas internacionais têm um dia positivo. Europa vinha de cinco quedas e Wall Street também acumula perdas intensas nos últimos pregões. Sem novidades no front monetário, surge espaço para alguma caça a barganhas.

Otimismo, porém, é contido por agenda carregada nos EUA, capaz de mudar tudo ao longo do dia. Temos inflação ao produtor, vendas ao varejo, produção industrial, NY Empire State, atividade na Filadelfia, pedidos de auxílio-desemprego e estoques de empresas. Uau, é muita coisa. E todos querem saber o ritmo da economia norte-americana às vésperas da temida reunião do Fed na semana que vem.

Na Europa, também há referências notáveis, como inflação ao consumidor e balança comercial, além da reunião do Banco da Inglaterra.

Por aqui, IPG-10 veio ligeiramente abaixo do esperado (0,36 por cento contra 0,40 por cento estimado). Há nova fase da Operação Acrônimo e dados de emprego da Fiesp no radar.

Acompanhando clima mais favorável lá fora, Ibovespa Futuro abre em alta de 0,5 por cento. Dólar cai contra o real depois do rali recente e juros futuros cedem com alguma força.


Encerraremos hoje a lista de adesões à série de Estratégias com Opções. Há poucas vagas restantes para nosso relatório mais concorrido. Vale a pena agilidade.
 

 

Felipe Miranda

Analista CNPI

 

Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

Comentários  

 
0 # Cantidio DantasAnemonalove 06-07-2017 01:26
Hello fellas! Who wants to see me live? I have profile at HotBabesCams.com, we
can chat, you can watch me live for free, my nickname is Anemonalove
, here is my photo:

https://3.bp.blogspot.com/-u5pGYuGNsSo/WVixiO8RBUI/AAAAAAAAAFA/JWa2LHHFI2AkHParQa3fwwHhVijolmq8QCLcBGAs/s1600/hottest%2Bwebcam%2Bgirl%2B-%2BAnemonalove.jpg
Responder | Responder com citação | Citar
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar