"Não queremos bandidos de estimação na política"
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02 de Outubro de 2016

“Não queremos bandidos de estimação na política”

Janaína Paschoal, uma das autoras do impeachment de Dilma, diz que a eleição deste domingo mostra cidadãos mais atentos à corrupção.

Por Márcio Juliboni

O Brasil que sairá destas eleições municipais, cujo primeiro turno ocorre hoje, não será perfeito (longe disso), mas mostrará que a população não tolera mais a corrupção e as relações incestuosas entre o público e o privado.

A avaliação é da advogada Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment que culminou na cassação de Dilma Rousseff. “Vivemos um processo de depuração e não vamos parar”, afirma. “Queremos que a sujeira venha para cima do tapete.” Veja os principais trechos da conversa:

O Financista: Nessa primeira eleição pós-impeachment, os eleitores estão realmente mais conscientes sobre temas como a corrupção?

Janaína Paschoal: Acho que sim, e uma prova é que os candidatos do PT e dos partidos que eram seus aliados foram os mais atingidos. Sempre digo que, quando Lula e Dilma apoiam um candidato, ele cai nas pesquisas na semana seguinte. Os eleitores estão mais maduros. Vi muita gente mais interessada no passado dos candidatos a prefeito e a vereador.

O Financista: Mas se trata apenas de uma eleição antipetista, ou de um movimento anticorrupção?

Janaína: Havia a expectativa de muitos políticos e do mercado que, uma vez que Dilma fosse cassada, as coisas se acalmariam. Mas não é isso que estamos vendo. Vivemos um processo de depuração e não vamos parar. Queremos que a sujeira venha para cima do tapete. Não queremos mais eleições fraudulentas. A população que foi às ruas mostra que o Brasil não quer se acomodar. Lembre-se de que a nossa frase sempre foi “caia quem tiver que cair”. As pessoas não querem mais ter bandidos de estimação política.

O Financista: A senhora acha que os candidatos entenderam o recado?

Janaína: Sinceramente, achei os debates muito vazios. Eles continuam lançando propostas sem dizer como serão realizadas, na prática. De onde virá o dinheiro? Como será operacionalizado? Para falar coisas bonitas na televisão, até eu falo.

O Financista: Um Brasil menos corrupto passa também por um povo menos corrupto, não?

Janaína: Eu não acredito nesse mantra de que o brasileiro é corrupto. Acho que ele é, sim, muito subserviente, muito submisso. Eu mesma fui submissa por muito tempo. O povo acredita que quem tem poder pode fazer tudo. Mas o impeachment e a Lava Jato, com toda a mobilização popular provam que a cidadania tem força.

O Financista: Diante de tudo isso, qual é o Brasil que a senhora vê sair desta eleição?

Janaína: Eu ainda não tenho a esperança de que saia o Brasil que desejamos. Ainda há muito crime organizado, milícias e violência infiltrados na política. Os crimes mostraram isso. Mas, nesse primeiro pleito pós-impeachment, acho que haverá chance para partidos novos, que não estão envolvidos nesses escândalos. Acho que haverá renovação de vereadores. O povo está mais atento para a promiscuidade entre o público e o privado. Sejamos francos: tem muita gente que se diz de direita, no Brasil, mas que vive encostado no Estado. Critica o Bolsa Família, mas tem o Bolsa BNDES. Sou uma ferrenha defensora da livre iniciativa, e ela não é isso. Livre iniciativa é correr risco.
 
 
 

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