Beija Flor e Brasil E-mail
Ter, 20 de Fevereiro de 2018 17:19

“Oh pátria amada, por onde andarás? 
Seus filhos já não aguentam mais”.

O estribilho do samba enredo da escola vencedora do Carnaval carioca nos lavou a alma retratando fielmente a melancolia que nos assalta.

“Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!”.

(Casimiro de Abreu)
Oh! que saudades que tenho do Rio de Janeiro da década de 70, quando lá fui morar, transferido de Porto Alegre para dirigir a grande Standard Propaganda, depois Ogilvy, no país inteiro.

 

 

Era o tempo dos cartões postais, que eu mandava às dezenas para meus amigos gaúchos dizendo: “se é verdade que o paraíso existe, eu o encontrei. É aqui!”.

Que tristeza comparar aqueles anos com os da “ex” Cidade Maravilhosa de hoje.

As cenas de violência que assistimos durante o carnaval foram estarrecedoras.
Enquanto o crime corria solto, o Prefeito estava passeando na Europa e o Governador longe da sede do governo, desfrutando de sua casa no interior, a 80 km da capital.

Não é admissível que as duas principais autoridades do pedaço não estivessem presentes numa hora dessas, deixando a população com uma sensação ainda maior de desamparo.

É inaceitável a atitude do bispo alcaide, que abandonou seus fieis num momento de caos depois das enxurradas desta semana, que mataram gente e provocaram toda a sorte de transtornos no município que ele deveria estar dirigindo.

E estes caras foram eleitos pelo voto popular.
A violência que assola o Rio de Janeiro é estarrecedora. Não só o Rio, mas o Brasil inteiro, onde em 2017 foram assassinadas quase 60 mil pessoas. Aqui morre à bala mais gente por ano do que as forças armadas americanas perderam em toda a guerra do Vietnã. Dom Odilo P. Scherer nos alerta em artigo no Estado de S. Paulo: “O Brasil, embora tenha menos do que 3% da população mundial tem quase 13% dos assassinatos em relação a esta mesma população”.

Neste mesmo artigo Dom Odilo trata da nova Campanha da Fraternidade da CNBB, que propõe uma profunda reflexão sobre as causas deste morticínio, desta hecatombe que nos horroriza. E, é claro, cita a falta de educação como a causa principal deste hediondo fenômeno tupiniquim. Não há quem não concorde em gênero, numero e grau com esta afirmação. Mas será que um dia vamos conseguir resolver este problema que se arrasta e se agrava há séculos?
Educação é o melhor investimento de todos?

Também sobre isso não pairam dúvidas.
Vejamos o exemplo da Coreia do Sul. Segundo informações pescadas no Google, em 1960 tínhamos, Brasil e Coreia, 35% de analfabetos. Hoje eles têm zero. No mesmo ano, aquele país asiático tinha um PIB per capita de 900 dólares, o Brasil tinha o do­bro. Agora o deles é de 32 mil dólares enquanto o nosso se arrasta na casa de escassos 10 mil dólares. E diminuindo.

Quanto à violência, a do Brasil também tem que ver com a impunidade, e não só com a falta de educação. Basta constatarmos a grande quantidade de “doutores”, os criminosos de colarinho branco, que, muito educadamente, praticam violência contra a nação roubando a torto e a direito com a certeza de que nada vai lhes acontecer.

E o pior é que para muitos deles nada vai acontecer mesmo: o Supremo, que está em vias de se apequenar para o Lula, não julgou até hoje nenhum indiciado na Lava Jato. Tudo indica que muitas das dezenas ações sob sua responsabilidade, se não todas, vão prescrever, como acaba de acontecer com um dos vários processos contra o notório Romero Jucá, que foi arquivado depois de 14 anos de tramitação.

O também notório Carlos Marun, comandante em chefe da tropa de choque do Eduardo Cunha e hoje Ministro de Estado, acaba de descobrir uma outra causa da violência: ”o Brasil fez opção pelo combate à corrupção no lugar de combater bandido".

E agora vem o Presidente Temer anunciar a intervenção militar no estado fluminense. Antes tarde do que nunca. Ele mesmo declara: "O crime organizado é uma metástase que se espalha pelo país e ameaça a tranquilidade do nosso povo” Será que não deveria ter decretado a intervenção militar no Brasil inteiro, que sofre do Oiapoque ao Chuí com a guerra perdida contra a bandidagem?

Temer percebeu que a criação do Ministério da Segurança Pública não seria suficiente. Ou alguém é tão ingênuo a ponto de acreditar que esse novo cabide de empregos resolveria o problema?
Os 28 ministérios já existentes resolveram alguma coisa?

O da Educação, por exemplo, conseguiu curar a chaga da deseducação que nos atormenta há séculos?
E o da infraestrutura, absolutamente sucateada num país onde metade da população vive em condições precárias sem ter nem mesmo saneamento básico, tipo esgoto? E a saúde?

Por tudo isso, faço minhas as palavras da Beija Flor: “Oh pátria amada, por onde andarás? Seus filhos já não aguentam mais”.
Obrigado,
Faveco
Flavio Corrêa (Faveco)
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