Maduro só não caiu porque tem sustentação das Forças Armadas, altamente corruptas

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2019 | 03h00

É altamente constrangedor, mas a verdade é que o último elo de sustentação do agonizante regime de Nicolás Maduro são as Forças Armadas da Venezuela e elas são, antes mesmo de Hugo Chávez, incluídas entre as mais corruptas das Américas.

Essa avaliação percorre os gabinetes militares do governo Jair Bolsonaro, que busca portas e atalhos para manter-se informado não apenas sobre a situação e os movimentos do próprio Maduro, como também sobre a disposição e as divisões dentro das Forças Armadas, que têm mais de mil generais. Um espanto!

Maduro é tratado no Brasil, no governo e fora dele (exceto em parte do PT), como patético, mas, ainda assim, perigoso. As Forças Armadas são fundamentais para apagar esse último adjetivo, mas insistem em apoiá-lo.

Um dia depois do grande momento de Bolsonaro, com o lançamento da “nova Previdência”, a quinta-feira foi tomada pela surpresa e pela discussão sobre a decisão de Maduro de fechar as fronteiras entre os dois países para impedir a entrada de caminhões com alimentos e medicamentos.

De certa forma, é uma declaração de guerra, ao menos de guerra branca. Curiosamente, o vice Hamilton Mourão vai participar da reunião do Grupo de Lima, em Bogotá, e Bolsonaro se reuniu com os ministros Augusto Heleno (GSI) e Santos Cruz (Secretaria de Governo), além de Onyx Lorenzoni (Casa Civil), sem convocar o chanceler Ernesto Araújo, só contatado por telefone. Depois, o porta-voz Rêgo Barros evitou um tom beligerante ou qualquer vestígio de ameaça, só avisando que a “Operação Acolhida” está mantida.

A situação é delicada por vários motivos, principalmente porque há um cerco de 50 países à Venezuela, isolada, desabastecida, em desgraça, mas ninguém sabe, ou diz, qual a saída de fora para dentro. Em articulação, ou até arregimentados pelos EUA, o Brasil e a Colômbia atraíram para si não apenas os holofotes, mas a responsabilidade pela solução do problema, e sem a via diplomática, implodida por Maduro. Sem a via diplomática, o que resta?

No mais, a gravíssima crise na Venezuela envia claros sinais para o Brasil, até porque, lá, o regime Chávez surgiu de um acordo entre a cúpula das Forças Armadas e parcelas da esquerda, sendo o próprio Chávez o instrumento e uma síntese dessa aliança. No Brasil, a “nova era” é resultado da indignação das Forças Armadas, muito particularmente do Exército, e de parcelas da direita, sendo Bolsonaro o instrumento e uma síntese dessa aliança.

Lá e cá, o estopim foi a exaustão, dos militares, de setores políticos e da própria população, diante da desordem, da corrupção, dos abusos das elites. Logo, os objetivos foram os melhores possíveis, mas, entre a teoria e a prática, entre a intenção e a execução, há um inferno cheio de variados demônios.

Como todo autoritário, convicto de que é dono da verdade, da pureza, das melhores intenções e da solução, Chávez foi cometendo um erro atrás do outro, até chegar ao mais dramático deles: não preparou um sucessor e, ao morrer, jogou o seu país no colo de Maduro, despreparado e irresponsável.

O mais chocante é que, assim como deram suporte à aventura Chávez, os militares garantiram a ascensão de Maduro. Logo, como lamentam generais brasileiros, os dois fatores confluíram: a velha corrupção arraigada nos comandos venezuelanos e a nova e doce sensação de poder, com a política entrando e inundando os quartéis.

Os militares brasileiros não têm absolutamente nada a ver com os venezuelanos. Profissionais, muito bem treinados, respeitados no mundo todo e sempre líderes das pesquisas, eles estão no centro das discussões sobre as saídas para o país vizinho, mas com uma certeza: o uso da força não é uma dessas saídas.

https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,maduro-e-os-militares,70002731424

Venezuela ameaça cortar fornecimento de energia elétrica para Roraima

GettyImages 1079999116 770x433 acf cropped
Venezuela ameaça cortar fornecimento de energia elétrica para Roraima: O eventual corte no fornecimento de energia ao estado de Roraima pela Venezuela representaria um custo extra de R$ 1,2 bilhão por ano para os consumidores de todo o Brasil.

O país ameaçou interromper o fornecimento ao único estado que não está interligado ao sistema elétrico brasileiro e que depende em grande parte das importações vindas do país vizinho.

Os dados são da Agência Nacional de ( Aneel ) e foram levantados há pouco pelo editor.

URGENTE: VENEZUELA POSICIONA MÍSSEIS NA FRONTEIRA COM BRASIL.

42829 resize 800 600 false true null
Nelson F During
Editor-Chefe DefesaNet

O governo Maduro posicionou o Sistema de Mísseis de Defesa Aérea S-300VM próximo à fronteira com o Brasil. É a segunda ação após anunciar o fechamento da fronteira com o Brasil, o que ocorreu às 20horas desta quinta-feira.

Segundo a plotagem que DefesaNet recebeu, a posição onde o sistema S-300 foi posicionado é a região do Aeropuerto de Santa Elena de Uairén, que dista da cidade fronteiriça de Pacaraima, Estado de Roraima, cerca de 11km.

A Venezuela possui 3 Sistemas de Defesa Aérea S-300, que inclui lançadores, sistemas de radares e apoio. Trazer um sistema estratégico tão valioso para uma posição de fronteira tem um caráter provocativo.

O que é o S-300VM

O sistema de Defesa Aéreo S-300VM é produzido pela empresa russa Antey-Almaz. Tem sido o maior sucesso de vendas no mercado internacional da indústria militar russa pós-Guerra Fria. Supera em muito o sucesso dos famosos caças Sukhoi.

A Venezuela adquiriu os S-300 durante o governo de Hugo Chávez. Junto incorporou o conceito de defesa aérea desenvolvido pelos russos desde a Guerra Fria. Trata-se de um sistema escalonado, que vai desde o menor nível com canhões até os mísseis para grande altitude:
1 - canhões de 20 a 40mm;
2 – MANPADS IGLA S 3,5km
3 - S-125 Pechora 2M 20km Altitude
4 - BUK-2ME 25 km Altitude
5- S-300VM 30 km Altitude
A Venezuela adquiriu não só os sistemas de mísseis e Comando e Controle (C2), mas sim o conceito de operação e emprego dos russos. Há três anos foi o criado o “Comando de Defensa Aeroespacial Integral” (CODAI). É subordinado ao “Comando Estrategico Operacional” (CEOFANB), outro conceito importado da Rússia.

O CODAI tem recebido treinamento sobre os avanços ocorridos na Guerra da Síria diretamente de missões russas que visitam o país. O controle de afinidade ideológico dos seus membros
misseis

O S-300VM é o grande guarda-chuva do sistema de defesa aérea venezuelano. Pode-se dizer que é o que tem mantido vivo o Regime Chavista e o Governo Maduro.

O Objetivo

O Objetivo de posicionar um sistema estratégico de tanta importância como os S-300MV tão próximo da fronteira é uma clara provocação e tem o fim de impactar TODO o tráfego aéreo na região norte do Brasil.

Assim criam uma área de exclusão aérea que atinge até Manaus. Torna inefetivo o aeroporto de Boa Vista. Com os seus potentes radares trabalhando a plena potência, sem necessidade de ações discretas para evitar mísseis anti-radiação ou ações de Interferência Eletrônica, têm um alcance de 300km.
mapa

A Venezuela expediu o NOTAM Ao 160/19 (Notice to Airmen) com um área de exclusão aérea entre o continente e as ilhas de Curaçao, Aruba e Bonaire, consideradas um dos três pontos de apoio de distribuição de ajuda humanitária.

Os outros dois pontos são Cúcuta (Colômbia) a Pacaraima (Brasl).

Porém, a área de inteligência considera, que na prática a Venezuela está colocando TODO o seu espaço aéreo como área de exclusão, ao acionar os radares dos sistemas de mísseis.
venezuela001

No círculo vermelho a área estimada da cobertura do radar do S-300VM, cerca de 300 km de raio. Este alcance depende da característica do terreno e da potência que está sendo empregada nos radares. Observar que a altura chega a 10.000m

As linhas internacionais Brasil-Estados Unidos usam a rota sobre a Venezuela para cruzar o Caribe.

Usado uma similaridade com o voo Malaysia Airlines MH 17, o Boeing 777-200, abatido por um míssil BUK (performance inferior ao S-300VM), quando sobrevoava a região da Crimeia, em 17JUL2014. Foram 298 vítimas.

Agressão ?

decreto

Portanto se a ação da Venezuela, caso seja continuada, é classificada como “Agressão Estrangeira”, e como no inciso 1º “ainda que não signifiquem invasão ao território nacional”.

Tanto o aeroporto de Boa Vista, como a Base Aérea da agora denominada ALA7 apresentam operação restritas e de risco.

venezuela
Militares leais ao governo de Nicolás Maduro atiraram contra um grupo de civis que tentava impedir o fechamento de parte da fronteira da Venezuela com o Brasil para a entrega de ajuda humanitária, deixando ao menos uma pessoa morta e várias feridas, de acordo com deputados da oposição e ativistas.

O conflito aconteceu no vilarejo indígena de Kumarakapai, na região de Gran Sabana, na fronteira com o Estado de Roraima, por volta das 6h manhã do horário local (7h em Brasília) desta sexta-feira, 22.

De acordo com o jornal americano The Washington Post, tudo começou quando um comboio militar se aproximou do vilarejo, que fica em uma das principais estradas que ligam a Venezuela ao Brasil.

Alguns moradores se posicionaram em frente aos veículos dos soldados, para impedir sua passagem, e foram atingidos por tiros.

Uma mulher, Zorayda Rodriguez, de 42 anos, foi morta, de acordo com o advogado e ativista Olnar Ortiz. Segundo o deputado da Assembleia Nacional Américo de Grazia, outras 15 pessoas ficaram feridas pelos disparos, três delas em estado grave.

#22Feb 8:24 am En #Kumarakapay, #GranSabana comunidad indígena está indignada por la acción de la GNB. Tienen retenido a un efectivo de apellido Montoya. #AyudaHumanitaria pic.twitter.com/SvG86TRp1H
— Clavel Rangel J. (@ClavelRangel) February 22, 2019
Veja também

MundoBrasil envia ajuda a venezuelanos, mas fronteira permanece bloqueada22 fev 2019 - 11h02
MundoErnesto Araújo vai à Colômbia para apoiar ajuda humanitária à Venezuela22 fev 2019 - 09h02
Segundo o Washington Post, após o confronto, ao menos 30 moradores saíram às ruas e sequestraram três soldados venezuelanos. Pelo menos um membro da Guarda Nacional ainda estaria sob o poder dos indígenas.

Os responsáveis pelo ataque aos civis, segundo dirigentes da oposição, são agentes da Guarda Nacional Bolivariana e da Força Armada Nacional Bolivariana.

Os ativistas pertenciam à tribo indígena Pemones, que se uniu ao esforço da oposição para levar as doações do Brasil, Estados Unidos e outras nações aos venezuelanos.

A mulher que morreu é uma vendedora de empanadas que estava na área onde ocorreu o enfrentamento, a comunidade de Kumaracupay, enquanto os feridos são todos homens.

Apenas três deles, e devido à gravidade do seu estado, foram transferidos imediatamente a um centro de saúde, pois, segundo De Grazia, não há gasolina nem ambulâncias que possam transferir os demais.

Na entrada da comunidade de Kumaracapai há uma placa com a inscrição “Guaidó presidente”. “Nunca apoiamos ou apoiaremos a ditadura”, disseram os índios a repórteres no local.

FAN asesinó a una mujer indígena Pemona en #Kumaracupay #GranSabana y los heridos de bala ascienden a 15. Tres de ellos han sido trasladados a #StaElenaDeUairen
— Americo De Grazia (@AmericoDeGrazia) February 22, 2019

Bloqueio da fronteira
Na quinta-feira 21, o governo chavista de Maduro ordenou o bloqueio da fronteira com o Brasil por período indeterminado. O espaço aéreo entre os países também foi suspenso, por determinação do Instituto Nacional de Aeronáutica Civil.

O presidente venezuelano quer impedir que os venezuelanos entrem no Brasil para buscar a ajuda humanitária doada pelo governo brasileiro.

Maduro afirma que as ajudas são um “presente podre” que carrega o “veneno da humilhação”, apesar de reconhecer as dificuldades que a Venezuela atravessa. O chavista também já disse que não permitirá a entrada das doações, pois são uma tentativa de “invasão estrangeira”.

Além, do Brasil, Colômbia e Estados Unidos se mobilizam para enviar ajuda humanitária aos venezuelanos. Canadá e União Europeia (UE) também anunciaram doações em dinheiro, destinadas principalmente aos refugiados do país.

A situação econômica desastrosa da Venezuela é considerado pela ONU a mais maciça da história recente da América Latina. O país possui as maiores reservas de petróleo do mundo, mas está asfixiado por uma profunda crise e pela hiperinflação, além de ser alvo de sanções financeiras dos Estados Unidos.

Movimentos populares, partidos políticos e entidades brasileiras lançaram nesta sexta-feira (22) um manifesto em solidariedade ao governo venezuelano, no qual criticam a ingerência dos Estados Unidos e a tentativa de golpe no país vizinho, liderada pelo autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

O documento foi lido durante uma entrevista coletiva em Boa Vista, Roraima, município que faz fronteira com a Venezuela. Participaram do evento Joaquin Piñero e Geomar Vilela, representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Rosangela Piovizani, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Titonho Bezerra, vice-presidente do Partido do Trabalhadores (PT) no estado, e Gilberto Rosa, da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

“Denunciamos a intervenção imperialista dos Estados Unidos, com o bloqueio econômico e sequestro de bilhões de dólares que estão nos bancos americanos. Repudiamos a ameaça de intervenção militar na Venezuela. Repudiamos as declarações intervencionistas do presidente Jair Bolsonaro e seu chanceler Ernesto Araújo, que rompem com a tradição diplomática brasileira em busca da paz, diálogo e integração regional”, afirma o documento.

Além do MST, CUT e MMC, o texto foi assinado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Partido dos Trabalhadores (PT).

Ainda segundo o manifesto, as entidades afirmam que a saída sobre a crise na Venezuela devem ser resolvidas através do diálogo entre as partes envolvidas, com o acompanhamento da comunidade internacional, para que prevaleça a paz no país.

"Diante desta situação, defendemos todas as iniciativas de diálogo e de paz que respeitem a soberania e a autodeterminação dos povos e saudamos as manifestações do Papa Francisco, dos presidentes do México e Uruguai, de lideranças religiosas, artistas, políticos, personalidades e entidades que têm se manifestado nessa causa”.
Para Titonho Bezerra, a intromissão estadunidense não ameaça somente os venezuelanos, mas também os brasileiros, principalmente aqueles que vivem próximos à fronteira. Segundo o vice-presidente do PT de Roraima, iniciativas de ajuda humanitária cabem à instituições criadas com essa função, como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), e não a países como Estados Unidos e Brasil.

"[Essa] guerra só interessa aos Estados Unidos, que querem ter o domínio do petróleo. Como um grande comprador de petróleo, os EUA precisam que o petróleo tenha um preço menor. […] Se os venezuelanos têm problemas políticos, que o povo venezuelano resolva, e não os brasileiros a mando dos EUA”, afirma.

Durante o evento, Rosangela Piovizani recordou que a maior parte das crises e conflitos na história da América Latina foram causados por agentes externos com o objetivo de desestabilizar os países e tomar posse de seus recursos naturais.

“Não podemos admitir uma ingerência dessa forma. Seja na Venezuela, seja no Brasil. Esta intervenção tem o objetivo claro de se apossar do petróleo e rearticular toda a região para servir a países capitalistas”, afirma.

Na última terça-feira (19), o governo de Jair Bolsonaro anunciou que o Brasil pretende realizar uma operação, em conjunto com os Estados Unidos, com o suposto objetivo de entregar donativos à Venezuela. A medida é apontada por analistas como mais uma tentativa de desestabilizar o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. 

Para Joaquin Piñero, representante do MST, os roraimenses passam por um momento de tensão desde que o anúncio foi feito. O dirigente também criticou a postura de submissão do Brasil aos Estados Unidos e afirmou que os movimentos populares brasileiros se solidarizam com os venezuelanos.

Segundo ele, “a sociedade brasileira tem que entender que o problema da Venezuela não foi gerado pelo governo. O problema está na falta de respeito dos norte-americanos à soberania do povo da América Latina”.

Em uma nota publicada em seu site, a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) também criticou a aliança entre os Estados Unidos e o Brasil para avançar no território venezuelano e afirmou que o tensionamento criado pode levar a um conflito maior.

"Devemos deixar claro que esta posição do governo Bolsonaro traz gravíssimas consequências, em caso de guerra. Em especial, a tragédia da perda de vidas humanas de cidadãos brasileiros, latino-americanos e americanos".

ORGANIZAÇÕES VAGABUNDAS COMUNISTAS DO BRASIL (PT, CUT, MST) LANÇAM MANIFESTO DE APOIO AO MASSACRE DE VENEZUELANOS POR MADURO.
Porto Alegre tem protesto contra intervenção na Venezuela

Manifestantes argumentam que EUA têm interesse no petróleo venezuelano mesmo com mísseis e tanques apontados para o Brasil.

22/02/2019 | 15:56

PorHenrique Massaro
001

Grupo protestou contra intervenção na Venezuela | Foto: Alina Souza

Contra o que consideram uma tentativa de intervenção norte-americana na Venezuela e a favor da legitimidade do governo de Nicolás Maduro, um grupo de entidades e partidos políticos se reuniu em manifestação na Esquina Democrática, no Centro Histórico de Porto Alegre, no início da tarde desta sexta-feira. O ato, que contou, inclusive, com a queima de uma bandeira dos Estados Unidos, se intitulava solidário ao povo venezuelano e se colocava contrário às tentativas de ajuda humanitária do governo americano ao país.

Da coordenação do Fórum Social Mundial e diretor da Associação Brasileira de ONGs (Abong), Mauri Cruz disse que o objetivo da manifestação era alertar dos riscos democráticos em se aceitar que países intervenham na autonomia de outros. De acordo com ele, o que vem ocorrendo é uma intervenção militar com interesse nas reservas de petróleo travestida de ajuda humanitária, pois não há apoio e reconhecimento desse auxílio pelas principais entidades mundiais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Cruz Vermelha. “Aceitarmos isso tacitamente, independente de concordar ou não com a ideologia do governo Maduro, é aceitar o fim da democracia e da autonomia dos povos”, afirmou.

Para o diretor da Abong, uma das entidades reunidas no ato, é o povo venezuelano que precisa ter poder de decisão. “Ele que deve decidir seu futuro e não aceitar tacitamente uma intervenção externa que a gente sabe, por óbvio, que o objetivo é econômico e não democrático”, destacou Cruz, que ainda ressaltou que países sem interesse direto no petróleo não estão apoiando as tentativas de ajuda humanitária.

Quando questionado sobre a possibilidade de a população venezuelana conseguir se manter sem o auxílio que o governo Maduro está impedindo, o diretor da Abong disse que esse tipo de discussão chega a ser hipócrita. Isso porque, segundo ele, o problema do país é um embargo norte-americano que não permite que sejam levados produtos alimentícios. De acordo com ele, a Venezuela não tem condições de comprar alimentos de países socialistas e comunistas em função disso.

Cruz acredita também que, se acontecer ajuda humanitária, precisa partir de organizações como a ONU e a Cruz Vermelha. O integrante da coordenação do Fórum Social Mundial, que destacou que a Venezuela se trata de um país rico em função das reservas de petróleo, disse que as pessoas reunidas na Esquina Democrática são favoráveis à decisão tomada pelo povo que elegeu o presidente, mas que não necessariamente concordam com todas as suas medidas. Também afirmou que é possível um confronto armado. “Se os EUA levarem a cabo o seu interesse de intervenção militar, certamente teremos uma guerra civil na Venezuela e isso pode mudar a paz em todo o continente. Aparentemente, a Rússia e a China não vão assistir a essa situação de forma pacifica. A gente, sim, pode estar na antessala de uma terceira guerra mundial.”

Da executiva estadual do PSOL, Neiva Lazzarotto disse que os manifestantes são contrários ao envolvimento do Brasil na situação. “A ajuda humanitária não é honesta, é um pretexto para entrar na Venezuela”, comentou.

No material entregue pelas entidades que organizaram o movimento, foi utilizada a frase “pela paz, conta a guerra, pela autodeterminação do povo venezuelano”. O folheto, assinado pelo Comitê Gaúcho em Solidariedade ao Povo Venezuelano – como foi chamado o grupo de entidades reunidas – destaca que Maduro é o governante legitimamente eleito pelo povo e que, “assim como no Iraque, na Líbia e na Síria, o que o imperialismo norte-americano quer é o petróleo da Venezuela”.

ORGANIZAÇÕES VAGABUNDAS COMUNISTAS DO BRASIL (PT, CUT, MST) LANÇAM MANIFESTO DE APOIO AO MASSACRE DE VENEZUELANOS POR MADURO.
002
Entidades, movimentos populares e partidos políticos brasileiros lançaram um manifesto em solidariedade à Venezuela - Créditos: Reprodução
Direto da fronteira, movimentos brasileiros lançam Manifesto Pela Paz na Venezuela defendendo o Governo do Ditador Assassino que está apontando mísseis para o Brasil.

O documento foi lançado durante uma entrevista coletiva realizada nesta sexta (22) após fronteiras serem fechadas
Redação
Brasil de Fato | São Paulo (SP) , 22 de Fevereiro de 2019 às 16:08

Receba nossas notícias no seu e-mail:

Contador de acessos 2664813

Kubik-Rubik Joomla! Extensions

logotipo ibs