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Militares leais ao governo de Nicolás Maduro atiraram contra um grupo de civis que tentava impedir o fechamento de parte da fronteira da Venezuela com o Brasil para a entrega de ajuda humanitária, deixando ao menos uma pessoa morta e várias feridas, de acordo com deputados da oposição e ativistas.

O conflito aconteceu no vilarejo indígena de Kumarakapai, na região de Gran Sabana, na fronteira com o Estado de Roraima, por volta das 6h manhã do horário local (7h em Brasília) desta sexta-feira, 22.

De acordo com o jornal americano The Washington Post, tudo começou quando um comboio militar se aproximou do vilarejo, que fica em uma das principais estradas que ligam a Venezuela ao Brasil.

Alguns moradores se posicionaram em frente aos veículos dos soldados, para impedir sua passagem, e foram atingidos por tiros.

Uma mulher, Zorayda Rodriguez, de 42 anos, foi morta, de acordo com o advogado e ativista Olnar Ortiz. Segundo o deputado da Assembleia Nacional Américo de Grazia, outras 15 pessoas ficaram feridas pelos disparos, três delas em estado grave.

#22Feb 8:24 am En #Kumarakapay, #GranSabana comunidad indígena está indignada por la acción de la GNB. Tienen retenido a un efectivo de apellido Montoya. #AyudaHumanitaria pic.twitter.com/SvG86TRp1H
— Clavel Rangel J. (@ClavelRangel) February 22, 2019
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Segundo o Washington Post, após o confronto, ao menos 30 moradores saíram às ruas e sequestraram três soldados venezuelanos. Pelo menos um membro da Guarda Nacional ainda estaria sob o poder dos indígenas.

Os responsáveis pelo ataque aos civis, segundo dirigentes da oposição, são agentes da Guarda Nacional Bolivariana e da Força Armada Nacional Bolivariana.

Os ativistas pertenciam à tribo indígena Pemones, que se uniu ao esforço da oposição para levar as doações do Brasil, Estados Unidos e outras nações aos venezuelanos.

A mulher que morreu é uma vendedora de empanadas que estava na área onde ocorreu o enfrentamento, a comunidade de Kumaracupay, enquanto os feridos são todos homens.

Apenas três deles, e devido à gravidade do seu estado, foram transferidos imediatamente a um centro de saúde, pois, segundo De Grazia, não há gasolina nem ambulâncias que possam transferir os demais.

Na entrada da comunidade de Kumaracapai há uma placa com a inscrição “Guaidó presidente”. “Nunca apoiamos ou apoiaremos a ditadura”, disseram os índios a repórteres no local.

FAN asesinó a una mujer indígena Pemona en #Kumaracupay #GranSabana y los heridos de bala ascienden a 15. Tres de ellos han sido trasladados a #StaElenaDeUairen
— Americo De Grazia (@AmericoDeGrazia) February 22, 2019

Bloqueio da fronteira
Na quinta-feira 21, o governo chavista de Maduro ordenou o bloqueio da fronteira com o Brasil por período indeterminado. O espaço aéreo entre os países também foi suspenso, por determinação do Instituto Nacional de Aeronáutica Civil.

O presidente venezuelano quer impedir que os venezuelanos entrem no Brasil para buscar a ajuda humanitária doada pelo governo brasileiro.

Maduro afirma que as ajudas são um “presente podre” que carrega o “veneno da humilhação”, apesar de reconhecer as dificuldades que a Venezuela atravessa. O chavista também já disse que não permitirá a entrada das doações, pois são uma tentativa de “invasão estrangeira”.

Além, do Brasil, Colômbia e Estados Unidos se mobilizam para enviar ajuda humanitária aos venezuelanos. Canadá e União Europeia (UE) também anunciaram doações em dinheiro, destinadas principalmente aos refugiados do país.

A situação econômica desastrosa da Venezuela é considerado pela ONU a mais maciça da história recente da América Latina. O país possui as maiores reservas de petróleo do mundo, mas está asfixiado por uma profunda crise e pela hiperinflação, além de ser alvo de sanções financeiras dos Estados Unidos.

Movimentos populares, partidos políticos e entidades brasileiras lançaram nesta sexta-feira (22) um manifesto em solidariedade ao governo venezuelano, no qual criticam a ingerência dos Estados Unidos e a tentativa de golpe no país vizinho, liderada pelo autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

O documento foi lido durante uma entrevista coletiva em Boa Vista, Roraima, município que faz fronteira com a Venezuela. Participaram do evento Joaquin Piñero e Geomar Vilela, representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Rosangela Piovizani, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Titonho Bezerra, vice-presidente do Partido do Trabalhadores (PT) no estado, e Gilberto Rosa, da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

“Denunciamos a intervenção imperialista dos Estados Unidos, com o bloqueio econômico e sequestro de bilhões de dólares que estão nos bancos americanos. Repudiamos a ameaça de intervenção militar na Venezuela. Repudiamos as declarações intervencionistas do presidente Jair Bolsonaro e seu chanceler Ernesto Araújo, que rompem com a tradição diplomática brasileira em busca da paz, diálogo e integração regional”, afirma o documento.

Além do MST, CUT e MMC, o texto foi assinado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Partido dos Trabalhadores (PT).

Ainda segundo o manifesto, as entidades afirmam que a saída sobre a crise na Venezuela devem ser resolvidas através do diálogo entre as partes envolvidas, com o acompanhamento da comunidade internacional, para que prevaleça a paz no país.

"Diante desta situação, defendemos todas as iniciativas de diálogo e de paz que respeitem a soberania e a autodeterminação dos povos e saudamos as manifestações do Papa Francisco, dos presidentes do México e Uruguai, de lideranças religiosas, artistas, políticos, personalidades e entidades que têm se manifestado nessa causa”.
Para Titonho Bezerra, a intromissão estadunidense não ameaça somente os venezuelanos, mas também os brasileiros, principalmente aqueles que vivem próximos à fronteira. Segundo o vice-presidente do PT de Roraima, iniciativas de ajuda humanitária cabem à instituições criadas com essa função, como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), e não a países como Estados Unidos e Brasil.

"[Essa] guerra só interessa aos Estados Unidos, que querem ter o domínio do petróleo. Como um grande comprador de petróleo, os EUA precisam que o petróleo tenha um preço menor. […] Se os venezuelanos têm problemas políticos, que o povo venezuelano resolva, e não os brasileiros a mando dos EUA”, afirma.

Durante o evento, Rosangela Piovizani recordou que a maior parte das crises e conflitos na história da América Latina foram causados por agentes externos com o objetivo de desestabilizar os países e tomar posse de seus recursos naturais.

“Não podemos admitir uma ingerência dessa forma. Seja na Venezuela, seja no Brasil. Esta intervenção tem o objetivo claro de se apossar do petróleo e rearticular toda a região para servir a países capitalistas”, afirma.

Na última terça-feira (19), o governo de Jair Bolsonaro anunciou que o Brasil pretende realizar uma operação, em conjunto com os Estados Unidos, com o suposto objetivo de entregar donativos à Venezuela. A medida é apontada por analistas como mais uma tentativa de desestabilizar o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. 

Para Joaquin Piñero, representante do MST, os roraimenses passam por um momento de tensão desde que o anúncio foi feito. O dirigente também criticou a postura de submissão do Brasil aos Estados Unidos e afirmou que os movimentos populares brasileiros se solidarizam com os venezuelanos.

Segundo ele, “a sociedade brasileira tem que entender que o problema da Venezuela não foi gerado pelo governo. O problema está na falta de respeito dos norte-americanos à soberania do povo da América Latina”.

Em uma nota publicada em seu site, a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) também criticou a aliança entre os Estados Unidos e o Brasil para avançar no território venezuelano e afirmou que o tensionamento criado pode levar a um conflito maior.

"Devemos deixar claro que esta posição do governo Bolsonaro traz gravíssimas consequências, em caso de guerra. Em especial, a tragédia da perda de vidas humanas de cidadãos brasileiros, latino-americanos e americanos".

ORGANIZAÇÕES VAGABUNDAS COMUNISTAS DO BRASIL (PT, CUT, MST) LANÇAM MANIFESTO DE APOIO AO MASSACRE DE VENEZUELANOS POR MADURO.
Porto Alegre tem protesto contra intervenção na Venezuela

Manifestantes argumentam que EUA têm interesse no petróleo venezuelano mesmo com mísseis e tanques apontados para o Brasil.

22/02/2019 | 15:56

PorHenrique Massaro
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Grupo protestou contra intervenção na Venezuela | Foto: Alina Souza

Contra o que consideram uma tentativa de intervenção norte-americana na Venezuela e a favor da legitimidade do governo de Nicolás Maduro, um grupo de entidades e partidos políticos se reuniu em manifestação na Esquina Democrática, no Centro Histórico de Porto Alegre, no início da tarde desta sexta-feira. O ato, que contou, inclusive, com a queima de uma bandeira dos Estados Unidos, se intitulava solidário ao povo venezuelano e se colocava contrário às tentativas de ajuda humanitária do governo americano ao país.

Da coordenação do Fórum Social Mundial e diretor da Associação Brasileira de ONGs (Abong), Mauri Cruz disse que o objetivo da manifestação era alertar dos riscos democráticos em se aceitar que países intervenham na autonomia de outros. De acordo com ele, o que vem ocorrendo é uma intervenção militar com interesse nas reservas de petróleo travestida de ajuda humanitária, pois não há apoio e reconhecimento desse auxílio pelas principais entidades mundiais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Cruz Vermelha. “Aceitarmos isso tacitamente, independente de concordar ou não com a ideologia do governo Maduro, é aceitar o fim da democracia e da autonomia dos povos”, afirmou.

Para o diretor da Abong, uma das entidades reunidas no ato, é o povo venezuelano que precisa ter poder de decisão. “Ele que deve decidir seu futuro e não aceitar tacitamente uma intervenção externa que a gente sabe, por óbvio, que o objetivo é econômico e não democrático”, destacou Cruz, que ainda ressaltou que países sem interesse direto no petróleo não estão apoiando as tentativas de ajuda humanitária.

Quando questionado sobre a possibilidade de a população venezuelana conseguir se manter sem o auxílio que o governo Maduro está impedindo, o diretor da Abong disse que esse tipo de discussão chega a ser hipócrita. Isso porque, segundo ele, o problema do país é um embargo norte-americano que não permite que sejam levados produtos alimentícios. De acordo com ele, a Venezuela não tem condições de comprar alimentos de países socialistas e comunistas em função disso.

Cruz acredita também que, se acontecer ajuda humanitária, precisa partir de organizações como a ONU e a Cruz Vermelha. O integrante da coordenação do Fórum Social Mundial, que destacou que a Venezuela se trata de um país rico em função das reservas de petróleo, disse que as pessoas reunidas na Esquina Democrática são favoráveis à decisão tomada pelo povo que elegeu o presidente, mas que não necessariamente concordam com todas as suas medidas. Também afirmou que é possível um confronto armado. “Se os EUA levarem a cabo o seu interesse de intervenção militar, certamente teremos uma guerra civil na Venezuela e isso pode mudar a paz em todo o continente. Aparentemente, a Rússia e a China não vão assistir a essa situação de forma pacifica. A gente, sim, pode estar na antessala de uma terceira guerra mundial.”

Da executiva estadual do PSOL, Neiva Lazzarotto disse que os manifestantes são contrários ao envolvimento do Brasil na situação. “A ajuda humanitária não é honesta, é um pretexto para entrar na Venezuela”, comentou.

No material entregue pelas entidades que organizaram o movimento, foi utilizada a frase “pela paz, conta a guerra, pela autodeterminação do povo venezuelano”. O folheto, assinado pelo Comitê Gaúcho em Solidariedade ao Povo Venezuelano – como foi chamado o grupo de entidades reunidas – destaca que Maduro é o governante legitimamente eleito pelo povo e que, “assim como no Iraque, na Líbia e na Síria, o que o imperialismo norte-americano quer é o petróleo da Venezuela”.

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Entidades, movimentos populares e partidos políticos brasileiros lançaram um manifesto em solidariedade à Venezuela - Créditos: Reprodução
Direto da fronteira, movimentos brasileiros lançam Manifesto Pela Paz na Venezuela defendendo o Governo do Ditador Assassino que está apontando mísseis para o Brasil.

O documento foi lançado durante uma entrevista coletiva realizada nesta sexta (22) após fronteiras serem fechadas
Redação
Brasil de Fato | São Paulo (SP) , 22 de Fevereiro de 2019 às 16:08

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