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Desde que essa greve começou, eu estou tentando entender o que está acontecendo. Talvez a coisa fique meio longa aqui, mas o assunto é complexo mesmo.

A lava-jato resultou no desmantelamento da política brasileira. Lembro que desde a redemocratização, as eleições brasileiras sempre foram disputadas por partidos que pareciam opostos e que fingiam ser inimigos. PSBD e PT (dois partidos de esquerda) se alternavam no poder com camaradagem nos bastidores. Nos últimos anos, o PSDB derreteu. Seu poder político vai ser reduzido a zero até que o partido acabe nos próximos anos. O PT virou um partido de presidiários, também em risco de acabar nos próximos anos. Os demais partidos, sem a liderança dos dois irmãos mais velhos, perderam o rumo a ponto de projetar políticos de quinta categoria como Manuela, Boulos, Rodrigo Maia, etc.

Cronologicamente, o que aconteceu esse ano no Brasil foi:
- Caravana Lula: um fiasco. Terminou com aquele episódio dos tiros.
- Mariele Franco: uso político de um assassinato. Que pode ou não ter sido cometido com fins políticos. Mas foi feito uso político dele.
- Prisão do Lula: o grande líder do stablishment político brasileiro foi preso e muito pensavam: “não vai durar”.
- Lula é mantido preso e seus recursos indeferidos em todas as instâncias (até na ONU). Isso fez a esquerda brasileira entender que estava acuada.
- Com Lula fora do páreo, as pesquisas de maio, mostraram Bolsonaro muito a frente dos demais candidatos. Isso há 4-5 meses antes das eleições qualifica Bolsonaro a ganhar no primeiro turno.

A conclusão da esquerda brasileira foi que eles certamente perderiam a eleição. Então o único jeito de impedir a derrota é impedindo a eleição.

Lideranças da esquerda menos disfarçada, sempre falaram em parar o país. Sempre!
Eles certamente cogitaram usar o MST/MTST e outras metástases do movimento socialista brasileiro, mas não teriam apoio popular. Então a estratégia esquerdista precisava mudar.

Qual o movimento suficientemente organizado, com infraestrutura e apoio popular para parar o Brasil? Isso mesmo, os caminhoneiros.

Alguém vai dizer: “a reivindicações deles são até meio liberais!”. Sim, verdade. Mas uma coisa é o que se fala e outra é o que se faz. O que eles falam é de teor liberal, sim. Mas o eles estão fazendo é desestabilizar um país há 5 meses de uma eleição presidencial que tem tudo para ser única na história do Brasil. De fato, eles estão cumprindo a ameaça de parar o Brasil que os movimentos de esquerda sempre fizeram. Talvez, os caminhoneiros nem estejam entendendo o que estão fazendo. Todos sabemos que uma das habilidades dos movimentos socialistas sempre foi aparelhar e manobras as massas.

Ouvir gente do povo clamando por intervenção militar, por exemplo, é música aos ouvidos de Lula. É exatamente o que ele quer! Quanto mais instável o país, menos chances de a eleição sair e melhor para a esquerda.

O cenário de os militares assumindo o poder de forma ilegítima é ideal para esquerda. Lembro que existem vários pré-candidatos militares. Uma eventual intervenção militar agora tiraria esses candidatos militares do páreo. Além disso, faria boa parte da opinião pública reviver a ditadura militar e, portanto, se voltando para os partidos de esquerda novamente. A narrativa “abaixo a ditadura!” estaria de volta com toda força.

Amigos, neste momento, a instabilidade política só beneficia a esquerda. Olhem para o que eles fazem! Não para o que eles falam!

Excelente texto do general Rocha Paiva! Repassem!!
General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva

Os brasileiros não querem intervenção militar e sim governos honestos, competentes e com autoridade moral e funcional. Governos que proporcionem desenvolvimento, segurança e bem-estar, em ambiente de liberdade com responsabilidade e justiça com legitimidade.

Governos honestos são exercidos por lideranças com valores éticos, morais e cívicos. Governos competentes têm estruturas constituídas por servidores, públicos e comissionados, selecionados pelo mérito, não pelo apadrinhamento, devotadamente dedicados ao serviço da nação e não a interesses político-partidários ou individuais. Governos com autoridade moral e funcional têm lideranças que dão exemplos de senso do dever, comprometimento com a sociedade, honestidade, austeridade e competência no desempenho de cargos e funções.

As Forças Armadas (FA) têm reputação de Instituições ética e moralmente saudáveis, demonstram elevada capacidade para cumprir diferentes missões e estão sempre prontas para servir à sociedade a qualquer hora e onde seja necessário. O papel desempenhado pelas FA na recente greve dos caminhoneiros foi fundamental, logrando êxito em poucos dias, com sereno rigor e sem emprego de violência. Elas fazem a diferença em um país onde a falta de solidariedade e a corrupção contaminaram amplamente da base ao mais alto nível da pirâmide político-social, tendo os Poderes da União perdido a confiança da população.

Nesse cenário de decadência moral e política, construído pelas esquerdas socialistas, a fabianista (1994-2002) e a gramcista (2003-2016), ambas aliadas à vetusta liderança patrimonialista, inclusive na prática da corrupção, o povo não vê saída pelas vias legais, posto que elaboradas para manter o poder do odioso conluio fisiológico e ideológico. Daí o crescente apelo por intervenção militar.

Dessa forma, não é justo condenar, a priori, os intervencionistas, embora ainda seja o momento de deles discordar. A maioria perdeu a crença nessa democracia para inglês ver, mas são de índole verdadeiramente democrática, patriótica e pacífica (não confundir com pacifista), tendo justos motivos para se preocuparem com o futuro do país.

Por outro lado, as eleições de 2018 não serão, por si só, o alvorecer de um novo Brasil. Democracia não se resume a eleições livres e não bastará uma grande renovação dos quadros do Executivo e do Legislativo. Nada mudará se os rumos do país continuarem a ser traçados por políticos patrimonialistas como Renan, Jucá e Temer (fisiológicos e não ideológicos); socialistas marxistas como Lula, Dilma, Gleisi e Lindebergh (servis ao Foro de São Paulo); ou socialistas fabianistas como FHC, Aécio, Alkmin e Serra (aliados ao globalismo internacionalista). Será a continuação das políticas do “toma lá dá cá”, dos interesses pessoais, partidários, ideológicos e apátridas, prevalecendo sobre o serviço à nação, da manutenção do ambiente facilitador da corrupção, que avilta a sociedade, da derrocada da autoestima nacional e do agravamento da cisão social, as duas últimas filhas diletas da nefasta e impatriótica ideologia socialista.

Ainda que surjam novas lideranças, será muito difícil e demorado recuperar uma sociedade ética e moralmente enferma pela corrupção endêmica e submetida a décadas de intensa campanha ideológica pelo desrespeito às leis e a tudo que represente autoridade e disciplina, pelo revisionismo da história para arrefecer o patriotismo e pela cisão social para criar um clima revolucionário. Uma sociedade sem a consciência de que a liberdade de cada um é limitada pela do próximo e desorientada pela falta de referenciais positivos a seguir.

As três décadas de liberdades democráticas mostraram que a sociedade não amadureceu o bastante, nem está educada o suficiente para ter total autonomia para conduzir o país. Ao contrário, ela foi deseducada e retrocedeu ao eleger, sucessivamente, governos que a afundaram nessa prolongada crise moral, política, econômica e social.

O idealismo ingênuo de um povo imaturo e de baixo nível educacional é explorado por formadores de opinião majoritariamente esquerdistas, ocupando setores decisivos, em prol da revolução socialista permanente, cuja origem está na década de 1920. A população vem sendo submetida a uma visão de viés socialista, maniqueísta e distorcida a respeito de direitos humanos, que impõe às maiorias não os legítimos direitos de minorias, mas seus interesses e os da revolução. Com a imposição autoritária do politicamente correto, visa-se padronizar opiniões e comportamentos, escravizando os cidadãos acomodados ou condenando social e judicialmente os que prezam a própria liberdade e dignidade. Além disso, procura-se impor políticas de igualdade e de distribuição de riquezas, que, sem o contraponto do mérito, são injustas com quem se esforça, produz e é útil, e beneficiam outros que delas usufruem sem nada produzir para a sociedade. O Estado patrão e provedor, sonho socialista, nunca solucionará as carências que pesam para o Brasil alcançar o futuro que sonhamos.

Só a ascensão de uma liderança centrista, que diminua e limite o tamanho do Estado, mantendo a flexibilidade para adequá-lo nas graves mudanças cenários; que tenha pensamento econômico liberal moderado e adote políticas sociais, cujos custos não impeçam um ritmo de desenvolvimento capaz de mantê-las e ainda gerar saldos para ampliar o progresso; que aplique um choque de valores éticos, morais e cívicos; que reforme a maneira de fazer política; e que transforme o país em uma Federação, de fato, com grande autonomia dos estados e municípios, responsabilidade fiscal e liberdade para empreender.

Defendo uma nova constituição, cujo projeto seja elaborado por uma comissão de notáveis e submetido à apreciação de uma Assembleia Constituinte para fazer sugestões e debater com a comissão, que teria a autoridade para aceitar ou não. O formato final seria submetido à votação popular.

Não defendo intervenção nem ditadura, civil ou militar, mas não tenho dúvidas de que o arremedo de democracia em vigor, a enfermidade moral da sociedade, a permanência das atuais lideranças políticas e a manutenção do utópico marco legal, inclusive constitucional, impedirão a retomada do progresso, segurança e bem-estar da nação.

Para ser bem claro e objetivo, a redenção do Brasil requer um governo com poder e autoridade apenas um pouco menos amplos do que os do regime militar. Democracia é algo abstrato e difícil de se definir concretamente, portanto, sua dose inicial e a evolução a patamares mais altos seriam temas para debate.

Pelo jeito a coisa é mesmo assim e o pequeno que se lasque!!!

Pra entender a greve, esse texto foi enviado por um historiador que faz faculdade comigo:

Escrevi ontem sobre a greve mas ainda tem um bocado de gente confusa, então vou tentar ser mais didático.

Em primeiro lugar, vamos classificar esse trabalhador que a gente chama de "CAMINHONEIRO".

Entende-se por caminhoneiro todo aquele que ganha a vida dirigindo caminhão. Ponto. A definição para aqui, porque há caminhoneiros autônomos, há caminhoneiros MEI's e há caminhoneiros empregados com carteira assinada.

Outra informação que precisa ser compartilhada diz respeito à variedade e à natureza das cargas transportadas. Cada uma dessas cria um nicho. Há, por exemplo, os caminhoneiros que dirigem caminhões de lixo, de sucata, de carga seca, frigoríficos, de produtos inflamáveis, de água. carga viva (frangos, suínos, bovinos), graneleiros, silos, containers, cargas de peso e volume excessivo (reboque "lagartixa"), de veículos (cegonhas), reboques etc.

Os grande contratos de frete, aqueles que rendem fortunas, estão nas mãos de 1% das empresas. Citei a JSL S/A (Julio Simões Logística S/A) como a maior delas. Diria que a JSL é a Odebrecht do transporte e logística de cargas.

Para se ter uma ideia, a JSL tem contrato de frete com a rede Hortifruti, Piraquê, White Martins, Comlurb, Unilever, Honda, Kraft Foods, BRF Foods, Vale, Usiminas, VW, Ford, dentre outras.

Assim como a JSL, há outros grandes players no mercado de transporte rodoviário de cargas e logística, como a Martelli, Ouro Verde, SADA etc.

Para ficar bem claro, uma consulta no site da ANTT revela que no RNTRC (Registro Nacional dos Transportadores de carga), estão registrados 480.969 profissionais autônomos, que possuem uma frota de 659.622 veículos. Por outro lado, estão registradas 144.208 empresas, que possuem uma frota de 1.083.831 veículos.

Aqui a coisa começa a ficar ainda mais clara. As 200 maiores empresas de transporte do Brasil - as gigantes do mercado - possuem 40% da frota registrada por CNPJ, ou seja, as 200 maiores empresas do Brasil possuem uma frota de aproximadamente 400.000 veículos.

*A título de esclarecimento, uma empresa cuja frota seja composta de 200 caminhões, por exemplo, é considerada média; menos de 100 caminhões, é pequena; abaixo de 50, é classificada como EPP; menos de 20, é ME. Isso não é um dado oficial até porque esse enquadramento se dá muito mais por faturamento do que por tamanho de frota. Mas dá uma ideia básica da segmentação do setor.

Para essas empresas, as gigantes, representadas ontem na reunião do governo com o "setor", a greve acabou porque seus objetivos foram alcançados: desoneração do combustível de PIS/Cofins e CIDE, além da promessa de ficaram de fora do projeto de reoneração do governo federal.

Ocorre que a greve começou por iniciativa da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) e logo teve a adesão de outras tantas entidades representativas dos caminhoneiros autônomos, dos sindicatos dos caminhoneiros empregados e dos proprietários de pequenas e médias transportadoras. A principal entidade patronal (CNT), vendo no movimento uma excelente oportunidade para o atendimento de seus interesses, aderiu imediatamente e, pior, assumiu a narrativa dos fatos e a "negociação oficial".

Mas para essas outras, a pauta era bem diferente. Além da redução do preço do diesel, o estopim, sem dúvida, há outras pautas muito importantes. As condições de trabalho, não cobrança de pedágio para eixos suspensos e - acima de tudo - aprovação do PL 528/2015, que cria uma política de preço mínimo de transporte rodoviário de carga (frete) e foi aprovado pela Câmara e entregue ao Senado em 07/11/2017, onde descansa trancada em alguma gaveta do ilustríssimo Senador Romero Jucá, nomeado Relator do PL, que no Senado ganhou o nº 121/2017.

Ocorre que a aprovação de tal PL não interessa aos grandes grupos que detém o contrato original do frete e terceirizam aquilo que não dão conta através da lei selvagem da procura x oferta.

Se você é dono de uma pequena transportadora, com 50 veículos, por exemplo, você precisa de contratos para manter seus carros rodando. Você então se sujeita, fazer o quê?, já que não há legislação que determine um preço mínimo.

Quem merece nossa solidariedade são os MOTORISTAS, OS CAMINHONEIROS. São os autônomos e os pequenos/médios empresários explorados pelos grandes players e pelas grandes empresas que contratam seus fretes a preços medíocres.

A greve vai continuar, mas agora que os barões da estrada foram atendidos, a borracha vai cantar. É só esperar.

- escrito por João Medeiros 

PF diz que Gleisi recebeu R$ 885 mil em propina de esquema da Consist

Inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga a senadora paranaense Gleisi Hoffmann aponta evidências de que a presidente nacional do PT teria recebido R$ 885 mil de um esquema de corrupção descoberto pela operação Lava Jato. No relatório, enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, o delegado Ricardo Hiroshi Ishida lista cinco repasses de dinheiro para senadora, que a implicariam em crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A senadora nega as acusações.

Entre os repasses estão quatro relacionados a empresa Consist, investigada na operação Custo Brasil, desdobramento da Lava Jato em São Paulo. O quinto, no valor de R$ 300 mil, teria como origem a empresa TAM Linhas Aéreas, cujos documentos também foram apreendidos na Custo Brasil. De acordo com a PF, todos os pagamentos teriam sido efetuados através do escritório do advogado Guilherme Gonçalves, que trabalhou para a senadora e para seu marido, o ex-ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

A investigação tem como alvo um contrato entre o Ministério do Planejamento, o Sindicato Nacional das Entidades Abertas de Previdência Complementar (SINAPP) e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) para gestão de empréstimos consignados. Após a assinatura do contrato, as entidades contrataram a Consist Software Ltda.

Segundo a PF, o esquema teria desviado cerca de R$ 100 milhões de contrato assinado quando Paulo Bernardo era ministro do Planejamento, entre 2005 e 2011. A PF diz ter encontrado indícios de que Gleisi e Paulo Bernardo, além de pessoas ligadas ao casal, teriam recebidos cerca de R$ 7 milhões do "Fundo Consist".

"Tais pagamentos aparecem como tendo sido feitos regularmente pelo escritório de Guilherme Gonçalves, mas na realidade tratavam-se de valores de corrupção recebidos pelo escritório de Guilherme Gonçalves", afirma o delegado no relatório.

Ainda segundo o inquérito da PF, o dinheiro do esquema teria sido usado para pagar despesas de pessoas próximas a senadora - e, também gastos da família da petista. De acordo com um dos funcionários do escritório de Guilherme Gonçalves, Luís Henrique Bender, ele pagava os honorários para um advogado de Paulo Bernardo. Além disso, Gonçalves teria pedido que ele comprasse um videogame Nintendo 3DS "para o filho do ministro".

Em nota, Gleisi rebateu as acusações e criticou o vazamento das informações. "Como é que um processo que corre em segredo de Justiça tem um suposto relatório vazado para a imprensa, sem que isso seja do meu conhecimento ou da minha defesa? Com que objetivo? ”, questiona ela no texto. “Nunca tive contas pagas por terceiros nem recebi dinheiro ilegal para mim ou para campanhas eleitorais. A investigação a que se refere a reportagem se arrasta há dois anos e meio e não concluiu nada, a julgar pelas insinuações levianas, que remetem a terceiros, ao invés de sustentar acusações concretas. Não há qualquer fato ou prova que possa levar a isso”, afirma a senadora.