A Torcida Pró Vírus

Publicado em 29/06/2020

J.R.GUZZO

A Torcida Pró Vírus

Publicado em 24 de junho de 2020

O coronavírus já havia nos trazido, logo no começo da epidemia, um novo fenômeno no universo da ciência – a química de direita e a química de esquerda. A química de direita, como se sabe, permite o uso da cloroquina, substância conhecida há décadas pela medicina e aplicada na terapia de diversas doenças, no trato da Covid-19. A química de esquerda proíbe; defendeu-se, até, a ideia de impedir que os serviços públicos de saúde fizessem pesquisas ou testes sobre a sua possível utilização. Temos, agora, a aritmética de direita e a aritmética de esquerda.

A aritmética de direita propõe que as listas que são publicadas todos os dias com o número de vítimas mostrem o número de mortos por 1 milhão de habitantes, no Brasil e nos outros países. A aritmética de esquerda acredita que os números devem ser publicados como eles vêm, em termos absolutos, sem cálculos de proporcionalidade ou ponderações per capita. A direita, em suma, quer que a epidemia seja menor. A esquerda quer que seja maior. Mas o fato é que pouco importa ao vírus qual a sua posição “política” quanto a ele – o seu tamanho real é um só.

No Brasil são anunciados a cada dia mais tantos e tantos mortos; como há mortes diárias, e os que já morreram não podem ressuscitar, o número total de mortos é necessariamente um recorde, pois é sempre maior que o número da véspera. O público é informado assim: “Brasil supera os 10.000 mortos”; e, sucessivamente, “20.000”, “30.000” etc. etc. No momento, superamos os “50.000”. Ao mesmo tempo, anuncia-se que o Brasil “passou” a Espanha em número de mortos, depois a Itália, depois a França e, enfim, a Inglaterra, o que nos coloca hoje em dia em segundo lugar na tabela mundial, logo abaixo dos Estados Unidos.

Ainda não se mencionou que o Brasil está em segundo lugar na classificação porque tem a segunda maior população entre os países que constam na lista – e da qual não aparecem China, Índia e outras nações da Ásia. Também não se informa que no cálculo de mortos per capita, o Brasil fica em 17.º lugar na classificação mundial: tem 225 mortos para cada 1 milhão de habitantes, enquanto o Reino Unido tem 623, a Espanha, 580, a Itália, 571, a França, 454, os Estados Unidos, 365. A Bélgica é a campeã, com 836 mortos por milhão de habitantes.

A verdade, no fim das contas, é que nenhuma dessas duas aritméticas altera o número real de pessoas mortas. Tanto faz que a conta seja assim ou assado: os mortos serão os mesmos. Mas é inútil ignorar que os efeitos da covid-19 têm sido muito piores na Europa e nos Estados Unidos do que no Brasil. Não ajuda em nada os que morreram, aqui ou lá, mas dá o real tamanho da tragédia. Da mesma forma, a cloroquina não muda de natureza por vontade do STF, da mídia ou dos políticos; ela é a mesma de sempre.

Como no caso dos corticoides, antibióticos e tantos outros medicamentos, a cloroquina tem se ser aplicada segundo as condições de cada paciente e o estágio da doença, e sob estrita orientação médica. De mais a mais, está sendo aplicada no trato da covid-19 todos os dias, por milhares de médicos em hospitais do Brasil inteiro; naturalmente, eles não pedem autorização ao prefeito Bruno Covas ou ao telejornal da TV Globo para fazer isso.

A torcida pró-vírus quer que o Brasil continue parado pelo máximo de tempo possível. Nenhum grupo político conseguiria causar tanto dano a um governo como o “distanciamento social” está conseguindo – e quanto pior for a situação, melhor para os seus adversários. Nada mais natural, portanto, que tenha a sua própria química e a sua própria aritmética.

 

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