Era doce e está acabando: O que sustenta a democracia não é a imprensa, mas a educação

Publicado em 08/06/2020

Jornal da Cidade Online (31/05/2020)

Jornais e jornalistas divulgam e acreditam piamente serem o 4º poder. Nada mais pérfido!

Essa afirmação vem precedida de outras: sem “imprensa livre não há democracia”; “respeitem os jornalistas”; “eles são vitais para estado de direito democrático”.

Afirmações tão falsas quanto uma nota de 3 reais, pois a atividade jornalística é apenas uma profissão.

Sua importância é igual a qualquer outra.

A imprensa vive e ganha dinheiro vendendo notícias. Do mesmo jeito que alguém vende bananas ou balas nas ruas. Ou uma loja que vende roupas. Ou um bar que vende bebidas.

O dono do jornal vende notícias. Contrata jornalistas, que se “acham” oráculos da sociedade para produzir essas notícias. E aí começa o problema, pois a notícia tem que ser bem produzida, senão não vende e se não vende o jornalista perde o emprego e o dono do jornal vai à falência. Então tudo se torna notícia. Tudo se torna espetáculo.

“No mundo todo, há um único tipo de espetáculo: o 'integrado'.

Sob a máscara da democracia, este remodelou totalmente a sociedade segundo a própria imagem, pretendendo que nenhuma alternativa seja sequer concebível.

Nunca o poder foi mais perfeito, pois consegue falsificar tudo, desde a cerveja, o pensamento e até os próprios revolucionários.

Ninguém pode verificar nada pessoalmente. Ao contrário, temos de confiar em imagens, e, como se não bastasse, imagens que outros escolheram.

Para os donos da sociedade, o espetáculo integrado é muito mais conveniente do que os velhos totalitarismos. A América Latina sabe algo a respeito.” (Guy Debord - Comentários Sobre a Sociedade do Espetáculo -1988).

E essa sociedade do Espetáculo é comandada no Brasil por grupos bilionários que manipulam os textos, as imagens e as notícias: Os Frias, Os Mesquitas e Os Marinhos.

Os Frias são os donos de a Folha de S.Paulo um dos mais influentes veículos de comunicação do país. O jornal é a base do conglomerado que hoje abrange ainda o UOL, maior portal de internet do país, o jornal Agora São Paulo, o instituto Datafolha, a editora Publifolha, o selo Três Estrelas e a Plural Editora e Gráfica, entre outros empreendimentos a PagSeguro Digital Ltda. De acordo com o ranking de bilionários de 2018 da revista Forbes, Luiz Frias tem uma fortuna estimada em 3 bilhões de dólares.

Os Mesquitas são os donos do grupo conhecido como Grupo Estadão ou Grupo OESP, é um conglomerado de mídia do qual fazem parte o Jornal O Estado de S. Paulo, a Agência Estado, a Eldorado FM, a TV Eldorado e a Gravadora Eldorado. O grupo foi fundado e é controlado pela família Mesquita. O Estado de S. Paulo é o mais antigo dos jornais da cidade de São Paulo ainda em circulação. Sua receita gira em torno de R$ 872,1 milhões.

Os Marinhos, os três irmãos que controlam as Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho, José Roberto Marinho, juntos, têm uma fortuna estimada em US$ 28,9 bilhões. O Grupo Globo (anteriormente conhecido como Organizações Globo) é o maior conglomerado de mídia e comunicação do Brasil e América Latina, composto pelo(a) Rede Globo, Sistema Globo de Rádio, Globosat, Infoglobo, Editora Globo, Globo.com, Som Livre e Zap Imóveis, além de ser mantenedor da Fundação Roberto Marinho. Em 2016, o Grupo Globo foi citado entre os maiores proprietários de mídia do mundo, de acordo com o ranking produzido pela consultoria Zenith Optimedia, sendo a única empresa brasileira da lista.

Note o tamanho do domínio dessas três famílias sobre os meios de comunicação de massa. Pare um pouco e pense sobre a palavra MASSA, com o significado de povo: algo maleável, dobrável, de forma indefinida, algo que pode ser manipulado.

Quem dobra e manipula essa massa são os INSTRUMENTOS ou meios de comunicação.

Os meios de comunicação de massa mais comuns são: televisão, rádio, revista, Internet, livros e cinema.

Esses meios de comunicação de massa podem ser usados tanto para fornecer informações úteis e importantes para a população como para aliená-la, determinar um modo de pensar ou induzir certos comportamentos ou a aquisição de certos produtos.

Os donos dos principais INSTRUMENTOS OU MEIOS de comunicação de massa no Brasil são essas três famílias.

São eles, através dos meios de comunicação, quem manipulam, falseiam, adulteram, influenciam o indivíduo ou a coletividade, conseguindo que se comportem de uma dada maneira, para servir a interesses outros que não os seus próprios.

Esses discursos todos que moldam comportamentos são vocalizados pelos jornalistas e outros trabalhadores da comunicação. Os jornalistas, apresentadores de jornais televisivos, que estão todos os dias frente à frente das câmeras, se vendem como seres angelicais, criaturas acima do bem e do mal, éticas, uma espécie moderna da “Ordem das Carmelitas Descalças”, encarregadas de fazer o bem e pôr a ordem no mundo.

Na realidade são escravos dos Marinhos, dos Frias e dos Mesquitas. Alugam suas penas a quem pagar mais.

Seus discursos revelam sempre os interesses desses grupos, aquilo que é conveniente para o negócio “jornalismo” do grupo de bilionários que mandam no Brasil.

São moedeiros falsos, vendem latão dizendo que é ouro, destroem lares e reputações na tela da TV.

Usam uma técnica malandra: primeiro “queimam”, dizendo horrores sobre a pessoa ou temas que lhes interessam, ao final da notícia, dizem que erraram, pedem desculpas e fica por isso mesmo.

Falam em ética, moral, mas o conteúdo que apresentam não segue o código de ética exigido pelo bom jornalismo – em particular o direito ao contraditório – manipulando as informações de acordo com a sua conveniência, somam a isso os recursos e as artifícios de audiovisuais e semiótica.

Exemplos de manipulação da Globo:

- No enfoque sobre a Cloroquina, opina apenas quem é contra o seu uso, e nenhuma opinião de quem é a favor. Pesquisadores entrevistados desqualificam experimentos positivos obtidos em associação com a Azitromicina. Quem se curou com o remédio não interessa. Médicos que a usaram muito menos. Recomendação feita por médicos renomados ou Protocolos do Ministério da Saúde são sempre desqualificados.

- Nada que o governo faz é importante, o boicote é claríssimo, as matérias demonstram sempre menosprezo, diminuindo a importância do Presidente;

- O uso do Data Folha, “Instituto de Pesquisa que pertence ao Grupo de Bilionários”, todos os dias, mostrando análises em que afirmam que o Presidente não é qualificado para comandar o país, como se os 57,8 milhões de brasileiros que votaram e apoiam o Presidente, fossem todos idiotas.

- Os ridículos panelaços mostrados, onde se ouve a voz de uma pessoa que filma prédios a quilômetros de distância, sem viva alma em qualquer janela desses prédios e um som de caçarola que parece vir de dentro do apartamento onde ela está.

O que se pratica aqui não é jornalismo honesto, ético, pregado por Bonner e seus acólitos, mas um ativismo político perigoso e criminoso.

Um jornalismo que envergonha a nação, que não é um registrador fiel dos fatos, que não tem imparcialidade nem o afastamento prudente dos arranca-rabos políticos, que não é motivo de altivez, mas de desdouro.

Esse é o jornalismo praticado no Brasil de hoje. Ele tem liames de norte a sul do país, pois todos os jornais são abastecidos por essas fontes.

Assim a teia de rádios, tvs e jornais entrelaça seus fios por toda a nação, cobrindo-a do Oiapoque ao Chuí, com sua baba alienante e o que você vê, ouve e lê é a opinião dos jornalistas desses três grupos.

Com o advento da Internet tudo mudou.

O que era doce está acabando. Os jornalistas-oráculos se desmancharam, a outra face das comunicações apareceu. Surgiu o jornalismo independente.

Qualquer cidadão sentado na frente do seu computador pessoal ou usando o celular pode contrapor, usar o contraditório, enviar mensagens, criticar, desmentir, aquilo que viu, ouviu ou leu. É uma espécie de nova resistência individual, mas de alcance coletivo. E isso está assustando os donos do poder.

Disse, no início desse texto, que os jornalistas e suas associações de classe acreditam que são seres superiores acima do bem e do mal; que sem “imprensa livre não há democracia”. Essas afirmações são completamente falsas e visam encobrir a verdadeira face do que são os jornalistas e a indústria jornalística: profissionais como qualquer outro e empresas que visam apenas lucro.

O que sustenta a democracia não é a imprensa, mas a educação.

Melhor, a boa educação.

Essa sim, prepara a mente para discernir o que é mau do que é bom; o inútil daquilo que é útil; o verdadeiro do falso.

É a boa educação que faz o bom jornalista, o bom engenheiro, o bom político.

É a boa educação que faz surgir a resistência contra as ditaduras.

É a boa educação que fornece ao cidadão a capacidade de leitura crítica contra o mau jornalismo.

É a boa educação, essa sim, que sustenta as democracias e faz cair as tiranias.

Carlos Sampaio. Professor. Pós-graduação em “Língua Portuguesa com Ênfase em Produção Textual”. Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

 

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