Sob chuvas, governo abriga-se na falta de nexo Comente

Publicado em 05/01/2012

 Mãos postas, ministro explica o inexplicável

O governo colhe nas tempestades deste início de 2012 os ventos que plantou. Recebera dos trovões de anos anteriores reiterados avisos. Prometara estruturar-se. Antes que o novo ano enviasse os seus raios que os partam, Brasília saiu em férias.

Os primeiros cadáveres do Sudeste começaram a cair no colo de Dilma Rousseff, de folga na Bahia. Junto com os corpos, vieram notícias esquisitas. Por exemplo: a pasta da Integração Nacional enviara 90% das verbas de prevenção de desastres para Pernambuco, Estado do ministro Fernando Bezerra.

Pelo telefone, Dilma ordenou que a ministra Gleisi Hoffmann, de repouso em Foz do Iguaçu (PR), retornasse a Brasília. Em telefonema ao colega Fernando, que descansava em Petrolina (PE), a chefe da Casa Civil aconselhou-o a fazer o mesmo.

Passada metade da primeira semana útil do ano, o governo ainda não ofereceu nenhuma explicação que mereça respeito. Com a imagem desabrigada pelas enchentes, as autoridades brasilienses buscam refúgio na falta de nexo.

Em entrevista, o pernambucano Fernando tentou explicar o inexplicável. Disse que Pernambuco recebeu mais verbas porque apresentou projetos. Desfiou três cifras e uma versão.

As cifras: dos R$ 218,7 milhões empenhados em 2011 para a prevenção de acidentes em todo o país, R$ 98,3 milhões foram para Pernambuco. Desse valor, R$ 70 milhões foram despejados na construção de três barragens.

A versão: o orçamento das obras pernambucanas foi aprovado por Dilma. “A presidente sabia dos repasses”, disse Fernando, ecoando o que dissera na véspera seu padrinho Eduardo Campos, governador pernambucano e presidente do PSB federal.

Quer dizer: a própria presidente contribuiu para a semeadura de ventos. A ONG Contas Abertas, a mesma que identificara o privilégio a Pernambuco, adicionou à tempestade relâmpagos novos.

Em dezembro, recordou a entidade, o governo divulgara um mapeamento das áreas mais propensas a arrostar desastres naturais. Listaram-se os 56 municípios que mereciam mais atenção. Sobreveio a surpresa: apenas dois receberam verbas do programa de prevenção de encrencas da natureza.

Repetindo: dos 56 municípios assentados nos pedaços mais perigosos do mapa, escassos dois foram bafejados com verbas das arcas de Brasília. Coisa mixuruca: R$ 156 mil para São Paulo; R$ 308 mil para Florianópolis. Somados, os repasses representam 1,5% da rubrica orçamentária dos desastres.

Tudo isso numa administração presidida pela continuidade. Uma gestão comandada por quem, até ontem, jactava-se de ser a gerentona-geral. Esqueceu-se de gerir a plantação de ventos. Agora colhe os efeitos da tormenta

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